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terça-feira, 14 de julho de 2009

Conheça a Igreja XXVII - Ordem Ministros dos Enfermos (Camilianos - MI)


Hoje dia 14 de Julho é dia de São Camilo de Lellis, Confessor. São Camilo vivenciou a presença de Deus em sua vida de maneira efetiva, tornando-se um homem puro e Santo. Aprendeu com os próprios erros e se reconciliou com Deus, foi um grande pregador e evangelizador.

História de São Camilo

“Façam do serviço aos enfermos um instrumento de santificação”.
São Camilo nasceu no ano de 1550, era italiano de Abruzzo, da cidade de Bucchianico. Quando de seu nascimento sua mãe Camila, já contava com 60 anos de idade. Aos 17 anos se alistou como voluntário no exército de Veneza e naquela época, conviveu com muitos enfermos. Nessa mesma época passou conviver com uma úlcera no pé, que o acompanhou até o último dia de vida. Foi quando perdeu o pai que se deixou levar pelos prazeres do mundo.

Com a morte do pai sua vida mudou completamente sofreu com a falta de saúde, condições financeiras e o vicio no jogo. Doente, não conseguiu um lugar para internar-se, tendo que ir para Roma, para ser tratado no Hospital Santiago. Como não tinha dinheiro ofereceu seus serviços.

Em 1573, estava se restabelecendo economicamente, e provou ser fraco, pois novamente se deixou vencer pelos prazeres do mundo. Novamente perdeu tudo e ficou miserável. Foi quando retornou a Nápoles e fez a promessa de ser franciscano. Em menos de um ano já havia se esquecido dos votos que fizera, novamente se perdendo pelo jogo.
Em plena miséria abrigou-se no convento dos capuchinhos, e finalmente se lembrou de sua promessa. Nesse momento sua conversão foi real.


Camilo de Lellis morreu no dia 14 de julho de 1614. Seu féretro foi marcado por muita comoção e acompanhado por uma multidão. Mas um milagre era visto naquele dia: enquanto preparavam o corpo de Camilo para o funeral, os médicos, estarrecidos, notaram que a chaga havia desaparecido.

No ano de 1582, Camilo teve a idéia Divina de criar uma companhia com homens piedosos que aceitassem, de bom grado e generosamente, ter como missão socorrer os pobres enfermos. Aos 32 anos voltou a estudar, foi sacerdote aos 34 anos. Em 18 de março de 1586, o papa Sixto V aprovou a Congregação Religiosa fundada por Camilo.

Na guerra que logo em seguida houve na Hungria, os "Camilianos" trabalharam como primeira unidade médica de campo, cuidando dos feridos.

"Pregai o evangelho..., curai os enfermos".

ORDEM DOS CAMILIANOS

Em 21 de setembro de 1591, o papa Gregório XIV elevou a Congregação de Camilo ao "status" de Ordem Religiosa. Atualmente é difundida nos cinco contimententes.
1 - Europa: neste Continente os camilianos estão presentes em nove países com províncias e grande desempenho nos trabalhos de assistência religiosa, espiritual e material. Na Itália contam-se quatro províncias, tendo à frente a província mais velha da Ordem: a província romana, essa tem entre as próprias responsabilidades o santuário S. Camillo na cidade natal do Santo, a casa onde ele nasceu e a paróquia da cidade onde o Santo foi batizado. Na Áustria, Alemanha, Holanda, Espanha, Irlanda, Inglaterra, França e Polônia as províncias mantêm trabalhos diversificados, da assistência espiritual e material à administração hospitalar. Existe também a presença missionária na Geórgia, Armênia e Hungria.
2 - Américas: no novo mundo existem duas províncias: Brasil e USA. A província brasileira desenvolve, atualmente, trabalhos na promoção e defesa da vida em todos os campos: da educação de base à Universidade, da administração hospitalar à assistência aos marginalizados e abandonados; da catequese paroquial ao ensinamento catedrático. A província dos USA trabalha na administração hospitalar e nas capelanias. Além das províncias este Continente há várias fundações e delegações nos países: Peru, Colômbia, Bolívia, Equador, Argentina, Haiti, Chile e México.
3 - África: neste Continente a presença Camiliana é muito viva no trabalho de assistência a todas as necessidades primárias. Existem delegações e fundações nos países: Benin, Burkina-Faso, Uganda, Kenya, Tanzânia e Madagascar.
4 - Ásia: neste Continente existe uma província, uma vice-província, delegações e fundações. A única província está nas Filipinas e a vice-provincia na Thailandia. As fundações e delegações estão no Viêt-Nam, Taiwan e Índia. O trabalho principal que os religiosos fazem é a promoção e defesa da vida humana na assistência aos mais necessitados, marginalizados e abandonados.
5 - Oceania: neste Continente existe apenas uma fundação na Austrália. O trabalho que os religiosos fazem naquele país se limita à assistência espiritual nas capelanias.

'Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e vieste ver-me' (Mt. 26,36).

Com o passar dos anos diversas congregações camilianas, foram criadas: A Congregação Ministras dos Enfermos, fundada pela Beata Maria Domingas Brun Barbantini; Congregação das Filhas de São Camilo, fundada pelo Beato Luís Tezza e pela Beata Josefina Vanini; Congregação das Religiosas Stella Maris, fundada pela Irmã Gilda Tasciatore; Instituto Secular Missionárias dos Enfermos Cristo Esperança, fundado em 1936 por Germana Sommaruga e Comunidade Secular das Irmãs Camilianas e também os Amigos dos Doentes e Sofredores, fundadas recentemente pela enfermeira Heidi Hinteregger. A vida de São Camilo foi uma resposta às palavras de Jesus: “Ide de aldeia em aldeia. Pregai o Evangelho e curai os enfermos”.

ORAÇÃO DE SÃO CAMILO

Glorioso São Camilo, volvei um olhar de misericórdia sobre os que sofrem e sobre os que os assistem. Concedei aos doentes aceitação cristã, confiança na bondade e no poder de Deus. Dai aos que cuidam dos doentes dedicação generosa e cheia de amor. Ajudai-me a entender o mistério do sofrimento, como meio de redenção e caminho para Deus. Vossa proteção conforte os doentes e familiares, e os encoraje na vivência do amor. Abençoai os que se dedicam aos enfermos, e que o bom Deus conceda paz e esperança a todos. Amém. Pai Nosso, Ave Maria e Glória.São Camilo, rogai por nós!


ORAÇÃO DOS ENFERMOS

Senhor, coloco-me diante de ti em atitude de oração.Sei que me ouves, tu me conheces. Sei que estou em ti e que tua força está em mim. Olha para meu corpo marcado pela enfermidade. Sabes, Senhor, o quanto me custa sofrer. Sei que não te alegras com o sofrimento de teus filhos. Dá-me, Senhor, força e coragem para vencer os momentos de desespero e de cansaço. Torna-me paciente e compreensivo. Ofereço minhas preocupações, angústias e sofrimentos, para ser mais digno de ti. Aceita, Senhor, que eu una meus sofrimentos aos de teu Filho Jesus, que, por amor aos homens, deu sua vida na Cruz. Peço, ainda, Senhor: ajuda os médicos e enfermeiros a terem para com os pacientes.

domingo, 7 de junho de 2009

Conheça a Igreja XXVI: A Pastoral Vocacional

A Pastoral Vocacional é o serviço realizado pela Igreja com o intuito de ajudar os fiéis a discernirem suas vocações, a fim de que possam vivê-las de forma plena. A pastoral busca despertar os cristãos para sua vocação humana, cristã e eclesial.

A pastoral define vocação da seguinte maneira: "Fundamentalmente, a vocação cristã é um chamado do Pai à salvação, por meio do seguimento e da identificação com Jesus Cristo, dentro de um povo. A esta vocação o cristão deve responder com uma opção concreta na Igreja e a serviço dela, tanto do ponto de vista ministerial, quanto carismático, nos diversos estilos de vida"

Sendo assim, a Pastoral Vocacional não é uma espécie de "serviço de recrutamento". Sua finalidade é ajudar cada pessoa a descobrir qual a sua vocação, seja ela o sacerdócio, a vida religiosa ou o matrimônio, e mostrar a elas como viver bem essa vocação.

A pastoral também ajuda os jovens a perceber a importância de participar ativamente da vida da Igreja, seja qual for a vocação individual de cada um. Assim, eles descobrem que podem participar das equipes de liturgia, de catequese, de outras pastorais e de movimentos eclesiais.

Embora não exclusivamente, o trabalho da Pastoral Vocacional é feito primordialmente junto aos jovens. Em cada diocese esse trabalho se desenvolve de uma forma particular, conforme as características locais. Geralmente são promovidos encontros, retiros e outros eventos para levar o jovem a compreender melhor cada vocação.

Para saber mais:

domingo, 24 de maio de 2009

Conheça a Igreja XXV: A Ordem de Santo Agostinho


A Ordem de Santo Agostinho (Ordo Fratrum S. Augustini), foi fundada em 1244, quando, por determinação do Papa Inocêncio IV, vários conventos da região italiana da Toscana que seguiam a chamada Regra de Santo Agostinho se juntaram numa única ordem. Em 1256, como efeito da Bula “Licet Ecclesiae catholicae”, do Papa Alexandre IV, outras ordens e congregações existentes na época se uniram a ela. Nesse momento, os Agostininanos passaram a ser compostos por 180 casas religiosas por toda a Europa.

Os primeiros conventos a formarem a ordem eram remascentes ou oriundos de comunidades antigas fundadas por Santo Agostinho. O famoso bispo de Hipona (cidade do norte da África) fundou algumas comunidades e seus discípulos mis tarde fundaram outras inspiradas em seus ideais.

Mais tarde, a ordem se subdividu, dando origem a outras congregações, como Os Agostinianos Recoletos (fundados em 1588 e tornados independentes em 1912) e os Agostinianos Descalços (fundados em 1592 e tornados independentes em 1936). Na ordem há os ramos masculino, feminino e uma ordem terceira.

Os Agostinianos chegaram ao Brasil em 1693, quando os Agostinianos Reformados da Observância de Portugal se estabeleceram em Salvador, onde permaneceram até 1824. Em 1899 um novo grupo de Agostinianos chegou ao Brasil vindo das Filipinas e desde então espalhou-se pelo país. Hoje a ordem tem destacada atuação na área educacional, sendo mantenedora de diversos colégios.

Entre os membros mais conhecidos da Ordem de Santo Agostinho estão Santa Rita de Cássia, os papas Adriano IV e Eugênio IV, o cientista Gregor Mendel e... Martinho Lutero.

Para saber mais:
Site Oficial Internacional
Vicariato de Nossa Senhora da Consolação do Brasil
Vicariato do Santíssimo Nome de Jesus do Brasil
Província Santa Rita de Cássia (Agostinianos Recoletos)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Conheça a Igreja XXIV: O Neocatecumenato

Ícone da Virgem e o Menino, pintado por Kiko Argüello, é o símbolo do Neocatecumenato

O Caminho Neocatecumenal ou simplesmente Neocatecumenato, é um movimento fundado na Espanha pelos leigos Kiko Argüello e Carmen Hernández em 1964. O caminho se define como "um itinerário de formação católica válida para a sociedade e para os tempos hodiernos" (João Paulo II, Carta “Ogniqualvolta”).

Seu nome remete ao catecumenato, período de aprendizado e de aprofundamento da fé por que passavam antes de serem batizados, nos primeiros tempos do Cristianismo, os pagãos que se convertiam a Cristo. Sendo assim, o Caminho Neocatecumenal seria um "itinerário de formação cristão pós-batismal" à disposição dos bispos e destinados especialmente àqueles que se afastaram da Igreja, àqueles que não receberam formação cristã adequada ou suficiente, aos que proveem de outras religiões e também a todos os que desejam se aprofundar na fé.

O Caminho se organiza nas paróquias em pequenas comunidades inspiradas na Sagrada Família. Aqueles que decidem trilhar seu itinerário passam pelas seguintes etapas (em cada uma, além de aprender sobre a fé, são instados a viver o que aprenderam):

Catequeses iniciais (ou kerigmáticas): conjunto de 15 encontros realizados ao longo de dois meses e finalizados com uma convivência que dura três dias.

Pré-Catecumenato - esta etapa engloba as catequeses iniciais, mas vai além. Tem duração de aproximadamente dois anos. Nesse período, os neocatecúmenos se aprofundam nos estudos bíblicos. Esta etapa é pontuada pelos chamados "Primeiro" e "Segundo Escrutínio", que são celebrações especiais.

Catecumenato Pós-Batismal - nesta fase, que também dura aproximadamente dois anos, os catecúmenos se aprofundam nas orações litúrgicas e desempenham atividades missionárias (na própria paróquia em que vivem).

Eleição - é a conclusão do Caminho Neocatecumenal. Na cerimônia de eleição, os catecúmenos renovam as promessas batismais e, em seguida, devem visitar a Terra Santa como sinal de suas bodas com Cristo.

O Neocatecumenato também faz a preparação de não cristãos para o batismo, promovendo algumas adaptações em seu itinerário para esses casos.

O Caminho também se dedica à formação de sacerdotes, o que faz por meio dos seminários Redemptoris Mater. Além disso, há os Centros Neocatecumenais Diocesanos, que têm como objetivo favorecer "o encontro entre o Bispo, ou um delegado dele, os párocos e os presbíteros, os catequistas e os responsáveis das comunidades" nas dioceses. No Brasil, são cinco centros: em Brasília, São Paulo, Franca (SP), Jundiaí (SP) e Umuarama (PR).

Em 2006 o Neocatecumenato recebeu algumas concessões litúrgicas especiais da Santa Sé. Por exemplo, as comunidades neocatecumenais são autorizadas a celebrar a missa dominical na noite de sábado até três vezes ao mês, conforme acordo feito com o bispo em cada diocese em que o Caminho atuar. Também foi permitido ao Caminho que, durante a celebração da palavra, seja permitido aos fiéis, antes da homilia, fazer uma breve intervenção, desde que esse não se caracterize como homilia (que é reservada ao sacerdote ou ao diácono).

Mais informações:
Site oficial no Brasil
Site oficial internacional

Redemptoris Mater

Papa Bento XVI com Kiko Argüello, Carmen Hernández e padre Pezzi

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Conheça a Igreja XXIII: A Pastoral da Sobriedade


O objetivo da Pastoral da Sobriedade é atuar na prevenção do uso de álcool e drogas e na recuperação de dependentes químicos. Ela foi criada no Brasil em 1998 e ganhou impulso a partir da Campanha da Fraternidade de 2001, centrada na temática das drogas (o lema daquele ano era "Vida Sim, Drogas Não!").

Nas paróquias, a Pastoral da Sobriedade busca divulgar informações sobre as drogas, incentivar a criação de grupos de auto-ajuda para usuários e familiares, além de criar e manter comunidades terapêuticas para atender aos dependentes químicos que necessitam de internação. A pastoral também procura ajudar na reinserção do dependente químico na comunidade.

Para o trabalho da pastoral, é fundamental a noção de que a evangelização tem papel importantíssimo na libertação das drogas.

Os 12 passos da Pastoral da Sobriedade são um pequeno guia para o caminho de libertação e reinserção dos dependentes. Veja abaixo quais são:

1º ADMITIR: "Senhor, admito minha dependência dos vícios e pecados, e que sozinho não posso vencê-los. Liberta-me! (Rm 7, 15-20)

2º CONFIAR: Senhor, confio em Ti, ouve o meu clamor. Cura-me! (Mc 10, 46-52)

3º ENTREGAR: Senhor, entrego minha vida, minhas dependências, em tuas mãos. Espero em ti. Aceita-me! (I Pd 5, 7-11)

4º ARREPENDER-SE: Senhor, arrependido de tudo o que fiz, quero voltar paras tua graça, para a casa do Pai. Acolhe-me! (Lc 15, 11s)

5º CONFESSAR: Senhor, confesso meus pecados e, publicamente peço teu perdão e o perdão dos meus irmãos. Absolve-me! ( Hb 8, 12-52)

6º RENASCER: Senhor, renasço, no teu Espírito para a Sobriedade. O homem velho passou, eis que sou uma criatura nova. Batiza-me de novo! (Jo 3, 1-15)

7º REPARAR: Senhor, reparo, financeira e moralmente a todos que, na minha dependência eu prejudiquei. Ajuda-me a resgatar minha dignidade e a confiança dos meus. Restaura-me! (Lc 19, 8)

8º PROFESSAR A FÉ: Senhor, professo que creio na Santíssima Trindade e peço ajuda da Igreja, com a intercessão de todos os santos. Instrui-me na Tua Palavra. (Rm 10, 9-10)

9º ORAR E VIGIAR: Senhor, orando e vigiando para não cair em tentação, seremos perseverantes nos Teus ensinamentos. Dá-me a Tua Paz. (Mt 26, 40-41)

10º SERVIR: Senhor, servindo, a exemplo de Maria nossa mãe e mãe de todos, queremos, gratuitamente, fazer dos excluídos os nossos preferidos, através da Pastoral da Sobriedade. (Lc 1, 36-41)

11º CELEBRAR: Senhor, celebrando a eucaristia, em comunidade com os irmãos, teremos força e graça para perseverarmos nessa caminhada. Alimenta-nos no corpo e sangue de Jesus.

12º FESTEJAR: Senhor, festejando os 12 passos para a Sobriedade Cristã, irmanados com todos, na mesma esperança, por um século sem drogas, queremos partilhar e anunciar Jesus Cristo Redentor, pelo nosso testemunho.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Conheça a Igreja XXII: A Ordem dos Jesuítas


A Companhia de Jesus (Societas Iesu, abreviatura SJ) foi fundada em 1534 por Iñigo López de Oñaz y Loyol (conhecido mais tarde como Santo Inácio de Loyola) e por seis companheiros estudantes da Universidade de Paris. A aprovação pontifícia foi dada por Paulo III em 1540. O objetivo dos fundadores era se colocarem à disposição do papa, cumprindo as missões que ele lhes designasse. O contexto da época - da Reforma e da Contra-Reforma - fez da Companhia de Jesus um importante instrumento de expansão do Catolicismo e de combate ao Protestantismo.

Os jesuítas tiveram importante papel na época das grandes navegações. Eles desembarcaram nas Américas e na Ásia, aonde p
rocuraram levar o Evangelho. Geralmente eram jesuítas os primeiros missionários nas novas terras descobertas. Sua atuação, no entanto, não tardou a desagradar aos governantes de Portugal e Espanha, as duas principais potências coloniais: os padres jesuítas logo se opuseram à escravidão indígena e criaram "reservas" de proteção aos índios: as chamadas missões ou reduções, onde eles viviam coletivamente e eram educados e catequizados, razoavelmente protegidos dos caçadores de escravos. A presão, no entanto, acabou levando à supressão das missões.

A ordem esteve formalmente extinta entre 1773 e 1814. Na época, era acusada de imiscuir-se nos assuntos temporais e antes de sua extinção, foi expulsa de países como Portugal, Espanha e França. Depois de sua restauração, no entanto, a ordem voltou a se espalhar pelo mundo.

A Companhia de Jesus é um instituto de vida consagrada em que seus membros são sacerdotes. Atualmente, são 21 mil padres em 112 países. No Brasil, são três províncias: a do Brasil Meridional, a do Brasil Centro-Leste e a do Brasil Nordeste.

Os jesuítas participam mais ativamente de projetos educacionais, de evangelização e de defesa dos direitos humanos. Sua espiritualidade está fundada nos famosos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, livro escrito pelo santo fundador "para ajudar as pessoas que procuram e desejam seguir a Jesus Cristo no serviço do Reino de Deus."

Um importante movimento leigo ligado à Companhia de Jesus é o Apostolado da Oração, fundado na França em 1844 em um colégio Jesuíta.

Entre os 50 santos jesuítas, podemos citar, além de Santo Inácio, São Francisco Xavier e São Luís Gonzaga. Devemos lembrar também que o beato José de Anchieta também era jesuíta.

Para saber mais:
Províncias brasileiras Meridional, Centro-Leste e Nordeste
Companhia de Jesus (Enciclopédia Católica ACI Prensa, em espanhol)
SJWeb (portal internacional em inglês e espanhol)
Jesuítas em Portugal
Apostolado da Oração (site internacional, em inglês)

Obras jesuítas (escolas, universidades, etc)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Conheça a Igreja XXI: O Movimento dos Focolares


A fundadora Chiara Lubich ao lado do Papa João Paulo II

O Movimento dos Focolares (Movimento dei Focolari), cujo nome oficial é Obra de Maria, foi fundado em 1943 na cidade italiana de Trento, por Chiara Lubich (22/01/1920-14/03/2008). O nome significa "lareira" em italiano. Sua criação foi uma resposta aos horrores da Segunda Guerra Mundial: à violência, as primeiras focolarinas queriam responder com amor.

Aos poucos o primeiro grupo inicial foi se transformando num movimento. Em 1947, obteve a aprovação do então bispo de Trento, Monsenhor Carlo de Ferrari. Em 1962 e 1990, recebeu as aprovações pontifícias.

O conceito de "amor evangélico" está no centro da espiritualidade do Movimento dos Focolare: "
Deus-Amor é a primeira centelha inspiradora" é uma de suas divisas. Também fundamental é o conceito de "espiritualidade da unidade", que se refere à expressão do amor fraterno: "A medida do amor mútuo, que gera a unidade, encontra-se neste ápice de amor. Uma unidade que torna visível a presença do Ressuscitado no lugar onde cada pessoa vive."

O objetivo dos Focolares é "Contribuir para a fraternidade universal e compor em unidade a família humana, segundo a oração de Jesus: 'que todos sejam um' (Jo. 17,21)". Para isso, busca o diálogo dentro da Igreja, mas também com cristãos de outras denominações, com não-cristãos e mesmo com pessoas sem religião. O movimento trabalha bastante com ecumenismo e com diálogo interreligioso.

O movimento está presente hoje em 182 países, tendo 141 mil membros, homens e mulheres, e dois milhões de aderentes e simpatizantes - dos quais, cem mil não-cristãos e ateus. Dentro do movimento, há 18 ramificações. Entre elas, podemos citar:

Humanidade Nova - composta sobretudo por leigos que atuam como "voluntários de Deus".

Famílias Novas - compostas peos membros casados.

Jovens por um Mundo Unido - ramificação em que se engajam os jovens no movimento. esenvolve atividades de solidariedade. Seus integrantes são conhecidos como "Gen 2".

Movimento Juvenil pela Unidade - ramificação para os adolescentes, os "Gen 3". Muitos provêem da "Gen 4", a geração das crianças.

Há ainda o Movimento Sacerdotal, o Movimento Paroquial, o Movimento dos Religiosos e outros.

Os Focolare também mantêm no mundo todo 35 Mariápolis Permanentes: comunidades semelhantes a cidades em que se busca promover uma vida baseada nos valores cristãos. No Brasil, são 3 - Mariápolis Glória, em Benevides (PA); Mariápolis Santa Maria, em Igarassu (PE); e Mariápolis Ginetta, em Vargem Grande Paulista (SP). Além dessas, há os Centros Mariápolis, 63 no mundo inteiro, que são escolas de formação social e espiritual para os membros. No BNrasil, são 5 - um emcada Mariápolis Permanente e um em São Leopoldo (RS0 e outro em Manaus. Os Congressos anuais do movimento também são denominados Mariápolis.

O movimento também desenvolve atividades como a Economia de Comunhão, projeto econômico iniciado em 1991 no Brasil e que inspira a administração de mais de 750 empresas no planeta. O princípio da Economia de Comunhão é a distribuição dos lucros com três finalidades:
"1) consolidação da empresa com justos salários e respeito às leis vigentes; 2) ajuda aos necessitados e criação de postos de trabalho; 3) sustento a estruturas aptas para formar homens capazes de viver a cultura da solidariedade, a cultura da partilha."

Duas conhecidas bandas católicas são vinculadas aos Focolare: O Gen Rosso (masculina) e o Gen Verde (feminina).
Para saber mais:
Site oficial internacional (em português e outros idiomas)
Site oficial brasileiro
Site oficial português
Perguntas e Respostas sobre os Focolares no site Cleofas
Site oficial da Economia de Comunhão
Página Oficial "Jovens por um Mundo Unido"
Página Oficial "Movimento Juvenil pela Unidade"
Blog de George Rafael sobre o Movimento

domingo, 8 de março de 2009

Conheça a Igreja XX: A Pastoral da Liturgia

A Pastoral da Liturgia é aquela encarregada, em cada paróquia, de organizar as celebrações litúrgicas da comunidade, zelando pela correção, procurando incentivar cada vez a participação dos fiéis.

Costuma ficar a cargo da Pastoral Litúrgica a formação de pessoas preparadas para auxiliar durante as celebrações eucarísticas, a organização de equipes de liturgia e a organizando de uma equipe de músicos responsáveis pelos cânticos de cada missa.

A equipe de Liturgia deve zelar pela formação de coroinhas, sacristãos, acólitos, pela escolha adequada dos cantos, pela correta decoração (uso daas cores) da igreja, pelo esclarecimento a respeito do gestos e atitudes corretos que os fiéis devem adotar.

A pastoral da Liturgia é fundamental em quaquer paróquia, pois " a liturgia ocupa, na ação evangelizadora da Igreja, um lugar central. Conforme o Concílio Vaticano II, ela é “o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde emana toda a sua força”.Nela, o discípulo realiza o mais íntimo encontro com o seu Senhor e, dela, recebe a motivação e a força máximas para a sua missão na Igreja e no mundo. "

Para saber mais:
Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia (CNBB)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Conheça a Igreja XIX: A Ordem Dominicana

A Ordo Fratrum Praedicatorum (O.P.) ou Ordem dos Frades Pregadores ou Ordem Dominicana, como é mais conhecida, foi fundada em 1216, na França, pelo espanhol São Domingos de Gusmão (daí o nome "dominicanos").

Em 1207, cumprindo missão que lhe havia sido conferida pelo Papa Inocêncio III, São Domingos parte para o sul da França para pregar o Evangelho. Na época, a heresia dos cátaros - influenciados por idéias gnósticas eles acreditavam na existência de dois deuses, um bom e um mal, desprezavam a matéria, eram contra o casamento e a procriação e incentivavam o suicídio - espalhava-se pela região. Trabalhou como pregador itinerante, falando aos pobres e aos ricos como nos antigos tempos dos apóstolos. Aos poucos formou-se uma comunidade ao redor de São Domingos, que fundou a nova Ordem dos Pregadores dotando-a de uma regra inspirada na Ordem Agostiniana. A ordem cresceu e novos centros foram fundados. Com centros em Paris e Bolonha, a ordem exerceu papel fundamental no desenvolvimento das universidades medievais. Durante muito tempo também ficaram a cargo dos dominicanos (e, secundariamente, dos franciscanos) os trabalhos do Tribunal do Santo Ofício, a Inquisição - que, ao contrário do que se costuma dizer, tinha apenas a tarefa de julgar as heresias, cabendo a execução das penas à autoridade civil.

Inúmeros santos são oriundos da Ordem Dominicana. Além do próprio São Domingos, podemos citar, entre outros: Santo Tomás de Aquino, Santo Alberto Magno, Santa Rosa de Lima, São Vicente Ferrer e Santa Catarina de Sena. Além disso, a ordem já deu à Igreja cinco papas: o beato Inocêncio V (1276), beato Bento XI (1303-1304), São Pio V (1556-1562), Bento XIII (1724-1730) e o papa Pio XII (1939-1958).

A vocação fundamental dos dominicanos é a pregação dos Evangelhos. À semelhança dos franciscanos, surgiu como uma ordem mendicante, voltada mais para a atuação na sociedade. Por isso, seus conventos geralmente localizam-se nas cidades.

A exemplo dos franciscanos, a Ordem dos Pregadores tem três ramos: os frades e freiras (Ordem Primeira), as irmãs (Ordem Segunda) e os leigos (Ordem Terceira). A ordem terceira é organizada em Fraternidades Leigas de São Domingos. Os frades e freiras costumam usar hábito branco com capa preta.


Para saber mais, veja:
Ordem dos Pregadores no Brasil
Site Oficial da Ordem Dominicana (em inglês, espanhol e francês)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Conheça a Igreja XVIII: O Cursilho de Cristandade


O Movimento Cursilho de Cristandade (MCC) é um movimento eclesial leigo. Nasceu na Espanha nas décadas de 30 e 40, pela iniciativa da Juventude da Ação Católica Espanhola. O nome "Cursilho" se deve ao fato de que foi organizada uma peregrinação de 80 mil jovens a Santiago de Compostella, jovens esses que passaram por pequenos cursos preparatórios, ou cursilhos. Depois dessa peregrinação, os cursilhos prosseguiram, tendo agora como objetivo a evangelização permanente.

O MCC chegou ao Brasil em 1962, trazido por missionários espanhóis. A primeira cidade brasileira onde se desenvolveu é Valinhos, em São Paulo.

O carisma do MCC consiste no anúncio da mensagem cristã às pessoas que participam do Cursilho, para torná-las aptas a anunciar a Boa Nova, levando-as a um encontro consigo mesmas, com Jesus Cristo e com as realidades do mundo nas quais estão imersas, sendo, no seio da sociedade, tanto pessoal como comunitariamente, fermento que transforma, sal que dá sabor e luz que ilumina, segundo os preceitos do Evangelho.

Para alcançar sua finalidade o MCC tem um método próprio, que se concretiza em três tempos ou etapas:

a) O Pré-Cursilho no qual se faz a busca das áreas ou dos ambientes a serem evangelizados, a escolha e a preparação dos líderes desses ambientes.

b) O Cursilho (curso vivencial que dura normalmente três dias), durante o qual se faz a proclamação do fundamento cristão ou Plano de Deus àqueles líderes. As pessoas geralmente se inscrevem ou são convidadas para participar. Há cursilhos masculinos e femininos.

c) O Pós-Cursilho, no qual se dá a inserção daqueles líderes na Pastoral Ambiental.

Depois de participar do Cursilho, os cursilhistas, como são chamados, continuam se reunindo frequentemente em pequenos núcleos para estudar os evangelhos e documentos da Igreja. Tabém acontecem as chamadas ultreyas, que são grandes assembléias mensais. A palavra ultreya quer dizer, em espanhol, "seguir adiante"- o nome remete à origem do movimento, aos cursilhos feitos por peregrinos.

Para saber mais, clique:

Página Oficial do MCC no Brasil
Página Oficial do MCC na Espanha (em espanhol)
MCC em São José do Rio Preto (SP)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Conheça a Igreja XVII: A Pastoral da Criança



A Pastoral da Criança é uma das mais conhecidas pastorais da Igreja, sendo muitas vezes confundida com uma organização não-governamental. Ela atua sobretudo junto a famílias carentes (sem qualquer tipo de distinção, mesmo de religião), desenvolvendo ações de educação, saúde, nutrição e espiritualidade, enfocando as crianças até seis anos de idade.

Geralmente, os líderes da pastoral visitam as famílias acompanhadas e as orientam sobre o desenvolvimento da criança, ensinando os diversos tipos de cuidados necessários para que ela tenha uma crescimento saudável. Também são promovidas atividades educacionais e de lazer, além de projetos de capacitação para que as famílias atendidas possam se autossustentar.

O trabalho da Pastoral da Criança começou em 1982, em Florestópolis, no Paraná. Na época, o secretário do Unicef sugeriu ao então arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, que a Igreja brasileira desenvolvesse uma campanha para combater a mortalidade infantil. O arcebispo gostou da idéia e a repassou à sua irmã, a médica sanitarista Zilda Arns, que decidiu promover a campanha, a qual acabou tomando a forma de uma pastoral na diocese de Londrina, então comandada por Dom Geraldo Magela Agnello (atual cardeal arcebispo de Salvador). Segundo informações da própria pastoral, em 1982, a mortalidade infantil em Florestópolis era de 127 crianças por mil. Após apenas um ano de atividades, o índice caiu para 28 por mil.

Daí em diante, a pastoral cresceu e atualmente são mais de 261 mil voluntários em todo o Brasil acompanhando mais de 1 milhão e 800 mil crianças e 95 mil gestantes em mais de 4 mil municípios. Em 200 foram realizadas 21,3 milhões de visitas domiciliares.

Embora a mortalidade infantil no Brasil ainda seja alta (em torno de 34 crianças por mil a cada ano), ela vem caindo nas últimas décadas. O próprio Uncef aponta a ação da Pastoral da Criança como uma das principais razões dessa queda.

Para saber mais sobre as ações desenvolvidas pela Pastoral da Criança, clique aqui.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Conheça a Igreja XVI: As Ordens Carmelitas

Existem basicamente duas ordens religiosas derivadas da espiritualidade do Carmelo: a Ordem Carmelita da Antiga Observância e a Ordem dos Carmelitas Descalços. Ambas surgiram da Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, fundada na Palestina perto do ano 1200 nas proximidades da cidade de Haifa.

Os primeiro carmelitas habitavam no mesmo monte onde, conta-nos a Bíblia, o profeta Elias viveu como eremita, em espírito de penitência, combatendo o paganismo. Eram, em sua maioria, cavaleiros que abandonaram as batalhas das Cruzadas e decidiram dedicar-se exclusivamente a Deus, vivendo em oração. Essa é uma região de cavernas, onde vários homens se estabeleceram como eremitas. Mais tarde, eles pediram ao patriarca de Jerusalém, Santo Alberto, para que elaborasse uma regra para o conjunto de monges que passavam a ser conhecidos como Irmãos do Carmelo. Ao longo dos séculos seguintes, a nova ordem espalhou-se pelos países europeus.

O surgimento dos Carmelitas Descalços

Em 1562, a monja carmelita Teresa de Cepeda e Ahumada, então com 47 anos e vivendo no mosteiro da Encarnação com mais 140 monjas, decidiu fundar um mosteiro menor, em que fosse possível viver mais adequadamente a espiritualidade carmelita. Neste mosteiro, fundado em Ávila, Espanha, viviam 13 monjas em silêncio quase perpétuo e total abstinência de carne. Em vez de sapatos, as freiras usavam sandálias e passaram a ser conhecidas, por isso, como carmelitas descalças. A fundadora do novo ramo seria conhecida mais tarde como Santa Teresa de Ávila.

Novos mosteiros femininos seguindo a reforma de Santa Teresa foram fundados. Anos mais tarde, Frei João de Yepes, jovem carmelita espanhol, decidiu promover reforma semelhante no ramo masculino da ordem e fundou em 1568 o mosteiro de Duruelo. Esse jovem seria conhecido mais tarde como São João da Cruz.

Em 1580 a Santa Sé reconheceu oficialmente a existência de dois ramos dos carmelitas: A Ordo Fratum Beatissimae Mariae Virginis de Monte Carmelo (O. Carm.), mais conhecida como Ordem dos Irmãos Carmelitas da Antiga Observância e a Ordo Fratrum Discalceatorum Beatissimae Mariae Virginis de Monte Carmelo (O. C. D), mais conhecida como Ordem dos Carmelitas Descalços.

Cada uma das duas ordens tem seu ramos masculino e seu ramo feminino. Existe também a Venerável Ordem Terceira do Carmo - ordem leiga ligada aos Carmelitas da Antiga Observância. Além desta, há várias ordens terceiras, vinculadas a mosteiros específicos e também a Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares.

Para saber mais sobre as ordens carmelitas, acesse:

Ordem do Carmo no Brasil
Ordem Carmelita descalça - Província São José
Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares
Carmelo São José

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Conheça a Igreja XV: O Canto Gregoriano

Também conhecido como cantochão, o canto gregoriano é mais do que um estilo musical - é uma oração cantada. É capaz de transmitir grande paz espiritual - e demanda dos cantores esse mesmo estado de espírito.

O canto gregoriano surgiu nos primeiros séculos do Cristianismo. Acredita-se que suas raízes estejam nos cânticos realizados nas sinagogas desde os tempos de Cristo, que, posteriormente, teriam recebido influências dos estilos musicais gregos e romano.

Seu nome se deve ao papa São Gregório Magno, que foi o pontífice romano do ano 590 até 604. É atribuída a ele a compilação de vários cânticos que já eram cantados nas igrejas e a composição de muitos outros novos, seguindo as características desse que se tornou uma espécie de estilo oficial da Igreja. Há estudiosos no entanto, que contestam essa autoria. De qualquer forma, foi durante o papado de São Gregório que o canto gregoriano viveu um grande impulso. O seu apogeu se deu mais tarde, durante o século VIII, quando multiplicaram-se as composições.

Foi um monge beneditino chamado Guido d'Arezzo que, no século X, inventou um sistema de notação musical que permitiu transcerver com fidelidade os sons do canto gregoriano para o papel, a fim de que ele pudesse ser registrado. Ele criou uma escala com notações musicais, as quais batizou com as primeiras sílabas de cada verso do Hino a São João Batista em latim: "ut queant laxis / resonare fibris / mira gestorum / famuli tuorum / solve polluti / labii reatum, Sancte Joannes". Séculos mais tarde, para facilitar a pronúncia, a nota ut foir substituída por , e mais uma, com a sílaba si, foi acrescentada ao final e assim as notas passaram a ser "dó, ré, mi, fa, sol, la, si".

O canto gregoriano caracteriza-se por ser cantado em coro, ser monofônico (isto é, nenhuma das vozes do coro se sobressai sobre as outras), ser cantado a capella (sem acompanhamento de instrumentos musicais), em ritmo livre, seguindo apenas a acentuação natural das frases e com letras em latim. Atualmente, há cantos em várias línguas e com acompanhamento de diversos tipos de instrumentos.

Nas abadias beneditinas, é cantada cotidianamente, seguindo a liturgia das horas. A Igreja também recomenda que seja cantado nas missas. Em 2007, na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, o papa Bento XVI conclamou o clero e os fiéis a revalorizarem o canto gregoriano:

"Com razão afirma Santo Agostinho, num famoso sermão: «O homem novo conhece o cântico novo. O cântico é uma manifestação de alegria e, se considerarmos melhor, um sinal de amor ». O povo de Deus, reunido para a celebração, canta os louvores de Deus. Na sua história bimilenária, a Igreja criou, e continua a criar, música e cânticos que constituem um património de fé e amor que não se deve perder. Verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro; a propósito, é necessário evitar a improvisação genérica ou a introdução de géneros musicais que não respeitem o sentido da liturgia. Enquanto elemento litúrgico, o canto deve integrar-se na forma própria da celebração; consequentemente, tudo — no texto, na melodia, na execução — deve corresponder ao sentido do mistério celebrado, às várias partes do rito e aos diferentes tempos litúrgicos. Enfim, embora tendo em conta as distintas orientações e as diferentes e amplamente louváveis tradições, desejo — como foi pedido pelos padres sinodais — que se valorize adequadamente o canto gregoriano, como canto próprio da liturgia romana."

Nos últimos tempos multiplicaram-se os corais gregorianos pelo mundo. O mais célebre de todos é o constituído pelos monges do Monastério de Santo Domingo de Silos, na Espanha, que em 1994 gravaram um CD que se tornou sucesso no mundo todo e o Mosteiro Cisterciense de Heiligenkreuz, na Áustria, que repetiram neste ano o sucesso dos monges de Silos com um CD que alcançou o topo das paradas em vários países. No Brasil, já gravaram os monges do Mosteiro da Ressurreição, em Ponta Grossa, Paraná. Há, inclusive, corais leigos, como o Coral Gregoriano de Belo Horizonte, constituído por homens e mulheres.

Para saber mais sobre o Canto gregoriano e ouvir algumas melodias:

Mosteiro de São Domingos de Silos
Mosteiro da Ressurreição
Mosteiro de Heiligenkreuz
Lista de corais de mundo inteiro
Página "Gregoriano"

Para ouvir cantos gregorianos:
Cantos diversos selecionados
Clipe caseiro de canto gregoriano executado pelos monges de Silos
Ave Maria cantada pelos monges de Silos
Clipe de canto gregoriano executado pelos monges de Heiligenkreuz
Trecho de missa no Mosteiro de São Bento em São Paulo com canto gregoriano (vídeo caseiro)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Conheça a Igreja XIV: O Opus Dei

O Opus Dei ("Obra de Deus") é hoje um dos mais importantes movimentos eclesiais e, talvez por isso, alvo preferencial de inúmeras campanhas difamatórias contra a Igreja. Muito se fala hoje sobre o Opus Dei, mas, infelizmente, muito pouco se esclarece. "Ultraconservador" é a palavra usada com maior freqüência para descrever o movimento. Vejamos agora algumas informações.

A Prelazia da Santa Cruz e Opus Dei - ou, simplesmente, o Opus Dei - foi fundada em 1928 na Espanha por São Josemaría Escrivá. Sua característica fundamental - o seu carisma - é o entendimento de que o Evangelho deve ser vivido no dia-a-dia, nas circunstâncias mais corriqueiras da vida, como o trabalho, os estudos, a convivência social e familiar, sem que seja obrigatoriamente necessário o isolamento em relação ao mundo. O próprio Opus Dei afirma que "
Sua missão consiste em difundir a mensagem de que o trabalho e as circunstâncias do dia-a-dia são ocasião de encontro com Deus, de serviço aos outros e de melhora da sociedade."

O Opus Dei é uma prelazia pessoal - a única atualmente existente. A figura da prelazia pessoal foi criada pelo Concílio do Vaticano II e consiste numa espécie de diocese sem circunscrição territorial, comandada por um prelado. Isso significa que os sacerdotes do Opus Dei devem obediência diretamente ao prelado do Opus Dei e não ao bispo da diocese em que trabalham. Mas é bom lembrar que um padre do Opus Dei só pode trabalhar numa diocese com a autorização do bispo local.

Atualmente, o Opus Dei é composto por aproximadamente 85 mil pessoas em todo o mundo, entre homens e mulheres. Desse total, apenas dois mil são sacerdotes. O restante são os chamados "adscritos", "numerários" e "supernumerários". Os adscritos são pesoas que decidem dedicar sua vida a servir a Deus por meio do Opus Dei, fazendo voto de castidade, mas sem abandonar suas famílias e suas profissões. Já os numerários também fazem voto de celibato, mas vivem nos centros do Opus Dei, ficando disponíveis o tempo todo para servir. É importante ressaltar: nem adscritos nem numerários são monges. Apesar de viverem também uma vida de oração, sua adesão é diferente. Por exemplo, não usam hábito, nem seguem uma regra específica (como a regra de São Bento, ou a Regra de São Francisco).

Mas, na verdade, cerca de 70% do membros do Opus Dei são supernumerários: homens e mulheres casados que buscam, por meio do Opus Dei a santificação de seus lares.

Há ainda os cooperadores (ou colaboradores) e os padres da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz, que não estão contados entre os 85 mil membros da Opus Dei. Cooperadores são leigos que, sem se incorporarem à Prelazia, ajudam em atividades assistenciais, de promoção social, cultural e participam de atividades de formação espiritual, como retiros, convívios, etc. Existem até não-cristãos entre os colaboradores do Opus Dei.

Já a Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz é composta por sacerdotes integrantes da prelazia e por membros do clero diocesano (ou seja, que não são do Opus Dei). Atualmente, é composta por cerca de 4 mil sacerdotes em todo o mundo. Os sacerdotes diocesanos que integram a sociedade continuam subordinados ao seu bispo e não ao prelado, mas buscam no Opus Dei (assim como os cooperadores leigos) ajuda para sua formação espiritual.

O fiel da Opus Dei - seja sacerdote da prelazia, adscrito, numerário, supernumerário, colaborador ou membro da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz - busca no Opus Dei um caminho para a própria santificação e compromete-se a fazer do seu trabalho, da sua profissão, do seu dia-a-dia, meios de evangelização. A "santificação do trabalho" é um dos princípios fundamentais da espiritualidade da Prelazia. "Buscar a santidade no trabalho significa esforçar-se para realizá-lo bem, com competência profissional e com sentido cristão, ou seja, por amor a Deus e para servir os homens. Assim, o trabalho cotidiano converte-se em lugar de encontro com Cristo."

Para saber mais sobre o Opus Dei:

Site Oficial
Para saber sobre o cilício e as mortificações corporais
Dúvidas gerais: esclarecedor tópico no Orkut sobre o Opus Dei
Editora Quadrante - excelente editora ligada ao Opus Dei

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Conheça a Igreja XIII: A Pastoral da Juventude


A Pastoral da Juventude (PJ) é a ação organizada dos jovens na Igreja. Em geral, ela coordena e congrega os movimentos de jovens existentes em cada paróquia, procurando também ajudar os jovens a conhecer outras pastorais e movimentos eclesiais.

Suas atribuições são promover a vocação e a formação espiritual dos jovens leigos. Assim, visa a evangelizar os jovens e a incentivá-los a participar da vida da Igreja e das comunidades em que vivem.

As atuais pastorais da juventude são herdeiras da Ação Católica Especializada que atou no Brasil na década de 60, organizada em Juventude Agrária Católica (JAC), Juventude Estudantil Católica (JEC), Juventude Operária Católica (JOC) e Juventude Universitária Católica (JUC). A Pastoral da Juventude, tal como é hoje, começou a se organizar ao final dos anos 70.

Em 1985, Ano Internacional da Juventude, foi criado no Brasil o Dia Nacional da Juventude, celebrado todos os anos geralmente em outubro. Sua organização fica a cargo da PJ.

Para saber mais sobre a Pastoral da Juventude, clique aqui e aqui.

Nosso próximo verbete será sobre a Opus Dei.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Conheça a Igreja XII: A Ordem de São Francisco


A Ordem dos Frades Menores (cuja sigla é O.F.M.), mais conhecida como Ordem Franciscana foi fundada por São Francisco de Assis em 1209 (ou seja, completará oitocentos anos de fundação em 2009). Sua regra foi aprovada em 1223 pelo papa Honorio III. A ordem teve um papel fundamental na renovação da espiritualidade na Idade Média.

A ordem formou-se naturalmente, pouco a pouco. Pessoas que conheciam Francisco de Assis, em sua maioria, jovens, decidiam seguir seu exemplo e abandonar tudo para viver conforme os princípios do Evangelho. Formou-se uma pequena comuniade que vivia pobremente e saía pela Itália a pregar a Palavra de Cristo. Em 1209, Francisco e alguns de seus companheiros apresentaram-se diante do Papa pedindo sua autorização para a formação da ordem. Durante à noite, o papa sonhou que a igreja de São João de Latrão, sede do papado na época, estava desmoronando, mas que um homem a sustentou. Ele reconheceu nesse homem as feições de Francisco. No dia seguinte, concedeu sua autorização.

O carisma franciscano tem como características fundamentais a vivência profunda do Evangelho, na busca da realização da palavra de Deus. Tal vivência caracteriza-se por ser gregária, fraterna, solidária. Daí ser uma ordem de "frades", irmãos. A valorização da humildade e do serviço aos próximos é outra característica marcante desse carisma. Daí a denominação de frades "menores": devem ser humildes servidores. Por fim, deve-se destacar a valorizaão da pobreza, não somente num sentido de ascetismo, de renúncia aos bens materiais, mas também num sentido de amor, de acolhida de todos os pobres.

São muitos os símbolos franciscanos. O Tau, última letra do alfabeto hebraico, tem o formato de um "T". Além de lembrar a cruz de Cristo, simboliza o pertencimento a Deus. A Cruz de São Damião é o crucifixo localizado na igrejinha dedicado a esse santo em Assis, igrejinha esta que tem particular importância na história da conversão de Francisco. A imagem de Cristo representada no crucifixo mostra um Jesus simultaneamente crucificado (ele está sobre a cruz) e ressuscitado (seus pés são representados separados, como se ele estivesse de pé.

Os franciscanos são conhecidos como "frades", palavra que deriva do latim frater, que quer dizer irmão. Fazem votos de pobreza, castidade e obediência. Hoje há pouco mais de 15 mil franciscanos em todo o mundo, dos quais mais de dez mil são sacerdotes, 101 são bispos e arcebispos e seis são cardeais. O Brasil é o terceiro país do mundo com maior número de irmãos franciscanos: são 1034. O país está logo atrás de Itália e Estados Unidos. Os franciscanos vivem em conventos, geralmente localizados nas cidades. Os conventos se organizam em províncias - ao todo, são 103 províncias no mundo.

Além da Ordem dos Frades Menores, que é conhecida também como Ordem Primeira, há duas outras ordens ligadas diretamente ao santo de Assis: a Ordem de Santa Clara ou Ordem Segunda, e a Ordem Franciscana Secular, ou Ordem Terceira. A Ordem de Santa Clara é o ramo feminino dos franciscanos e foi fundada pelo próprio São Francisco, juntamente com sua amiga Clara de Assis. As integrantes da ordem são conhecidas como irmãs clarissas. Já a Ordem Terceira é a ordem dos homens e das mulheres leigos que querem viver o carisma franciscano, mas que também podem se casar.

Com o tempo, a Ordem Primeira se dividiu em três ramos. Além da Ordem dos Frades Menores, surgiram a Ordem dos Capuchinhos (OFMCap) e a Ordem dos Conventuais (OFMConv). A título de curiosidade: os Frades Menores usam hábito marrom, assim como os Capuchinhos, mas estes usam um capuz pontudo; já os frades conventuais usam hábito cinza.

Nosso próximo verbete será sobre a Pastoral da Juventude.

domingo, 14 de setembro de 2008

Conheça a Igreja XI: A Renovação Carismática



A Renovação Carismática Católica (RCC) é um movimento da Igreja surgido nos Estados Unidos em 1967. Tudo começou em um retiro espiritual na Universidade de Duquesne, na cidade de Pittsburgh. Alguns estudantes e professores participaram desse e de outros retiros, em que era enfatizada a ação do Espírito Santo na vida de cada um de nós. Rapidamente a Renovação Carismática (em inglês, Charismatic Renewal) chegou a outros países. No Brasil, ela começou em Campinas, em 1969, com o padre Eduardo Dougherty.

O Grupo de Oração é a base da estrutura da Renovação Carismática. Os participantes do movimento reúnem-se semanalmente em suas paróquias em grupos liderados por leigos. Muitos dos grupos de oração deram origem às comunidades carismáticas, onde os laços de vida entre seus integrantes são mais estreitos. Estas comunidades têm várias estruturas, vocações, formas e graus de dedicação. Algumas delas foram muito importantes para o desenvolvimento e propagação da Renovação.

A RCC ressalta a necessidade de cada cristão confirmar, em suas ações, os votos feitos no batismo e na crisma e de buscar Jesus tendo como suporte os dons do Espírito Santo.

A Renovação Carismática coloca uma ênfase especial nas obras do Espírito Santo. Os Frutos do Espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gálatas 5:22). Ele também concede dons aos cristãos tais como os dons de profecia, línguas, discernimento, sabedoria, cura, fé, milagres, sabedoria e ciência. A Renovação Carismática Católica acredita que atualmente esses dons estão novamente sendo concedidos.

Nosso próximo verbete: A Ordem de São Francisco

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Conheça a Igreja X: Os Movimentos Eclesiais

Cada homem e cada mulher é chamado a participar ativamente da evangelização. Uma participação passiva já não é mais suficiente: cada um pode e deve contribuir de alguma forma para a construção do Reino de Deus aqui na Terra.

Os movimentos eclesiais são um excelente caminho para aqueles que não são vocacionados ao sacerdócio ou à vida consagrada, mas que podem contribuir para a evangelização; ou seja, para os leigos. Eles são como associações de fiéis, cujo objetivo é a defesa e a promoção dos valores da Igreja. Pode-se dizer que um movimento eclesial é uma forma eficiente de levar, por meio dos fiéis, a ação da Igreja ao mundo.

Desde muitos séculos existem movimentos eclesiais. Na Idade Média eram muito comuns as confrarias. No século XIX eles começaram a se expandir e no século XX, sobretudo a partir do Concílio do Vaticano II, eles se multiplicaram. No Concílio, a Igreja percebeu a importância desses movimentos e decidiu impulsioná-los, incentivando sua criação, ampliando sua liberdade, mas também suas responsabilidades.

No mundo atual, há uma infinidade de movimentos. Alguns são recentes e ainda estão se organizando; outros são antigos e já contam com grande estrutura e o aval do Vaticano. Alguns contam com a participação direta de sacerdotes e de leigos, outros são formados apenas por leigos, mas todos contam com a orientação de padres e bispos. Cada um dos movimentos eclesiais tem uma característica especial, o carisma, buscando cumprir missões específicas. Alguns são mais contemplativos, outros mais ativos. Alguns buscam levar caridade aos pobres, outros procuram enganajar nesse serviço os ricos. Mas todos eles têm algumas coisas em comum: eles servem à Igreja e à comunidade onde estão inseridos, obedecendo ao Papa, aos bispos e aos sacerdotes. Participar de algum desses movimentos, conforme a pessoa se identificar com eles, é uma ótima forma de servir a Cristo e aos irmãos.

Apenas a título de exemplo, citemos alguns movimentos eclesiais (são só alguns: há incontáveis movimentos no mundo inteiro):

Renovação Carismática Católica (RCC), Movimento de Cursilho de Cristandade (MCC), Oficinas de Oração e Vida (TOV), Movimento Regnum Christi, Opus Dei, Focolares, Neocatecumenato, Legião de Maria, Toca de Assis, Movimento Comunhão e Libertação, Emaús, Movimento de Vida Cristã, Ajuda à Igreja que Sofre, Caritas, Sociedade São Vicente de Paulo, Apostolado da Oração, Terço dos Homens, comunidades católicas (Comunidade Canção Nova, Comunidade Shalom, Comunidade Beatitudes, etc) .

"Hoje, a Igreja alegra-se ao constatar o renovado cumprimento das palavras do profeta Joel, que há pouco escutámos: 'Derramarei o Meu Espírito sobre toda a criatura...' (Act 2, 17). Vós aqui presentes sois a prova palpável desta 'efusão' do Espírito. Cada movimento difere do outro, mas todos estão unidos na mesma comunhão e para a mesma missão. Alguns carismas suscitados pelo Espírito irrompem como vento impetuoso, que arrebata e atrai as pessoas para novos caminhos de empenho missionário ao serviço radical do Evangelho, proclamando sem temor as verdades da fé, acolhendo como dom o fluxo vivo da tradição e suscitando em cada um o ardente desejo da santidade."
trecho do Discurso do Papa João Paulo II aos participantes do Congresso Mundial dos Movimentos Eclesiais - Roma, 1998.

Nosso próximo verbete: A Renovação Carismática Católica (RCC).

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Conheça a Igreja IX: A Pastoral Familiar

A missão da Pastoral Familiar é a evangelização das famílias e a promoção humana e social da pessoa. Ora, a família é o núcleo fundamental da sociedade e é por meio dela que a sociedade pode ser melhorada.

Por meio da pastoral, a Igreja acompanha a via das famílias: tanto as que estão bem estruturadas como as que estão em situação de risco. Assim, cabe a essa pastoral a promoção de cursos de noivos e de padrinhos, encontros de casais casados, encontros de namorados, etc.

Assim, a Pastoral Familiar procura orientar os homens e as mulheres para a correta vivência de sua sexualidade e para a construção de uma família harmoniosa. Seu trabalho é despertar a todos para a beleza e santidade da vocação matrimonial e para a compreensão adequada do que são os maravilhosos dons de ser pai e ser mãe.

Cabe também à Pastoral Familiar a defesa do valor da Vida, hoje seriamente ameaçado pelas idéias propagadas por certas correntes políticas e culturais e constantemente contestado pelos meios de comunicação. Entre os objetivos da pastoral está o combate ao aborto, a prevenção da gravidez precoce, a valorização dos idosos.

Enfim, seu âmbito é vasto, pois ao tratar da família como um todo, a Pastoral Familiar lida diretamente com os problemas que afligem os casais, os jovens, as crianças e os idosos.

Para saber mais:
Comissão Nacional da Pastoral Familiar
Valores Básicos da Vida e da Família (documento da CNBB)
Em favor da Família (documento da CNBB)

O verbete da próxima semana: Os Movimentos Eclesiais

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Conheça a Igreja VIII: As Pastorais

A Igreja Católica organiza sua ação no mundo por meio de pastorais. As pastorais geralmente são compostas por leigos e respondem diretamente ao pároco ou ao bispo, conforme seu escopo de atuação ser a paróquia ou a diocese.

Diferem-se dos movimentos eclesiais porque se organizam de acordo com uma finalidade específica (atender às crianças, aos encarcerados, etc) enquanto os movimentos eclesiais se organizam conforme seus carismas. Além disso, as pastorais não possuem estrutura hierárquica nem votos. Pode-se dizer também que, por meio dos movimentos, os leigos buscam participar da vida da Igreja. Já, por meio das pastorais, os leigos buscam levar a ação da Igreja ao mundo.

As pastorais existentes em cada país dependem da realidade local. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil registra em seu site as seguintes pastorais:

Pastorais

Pastoral Afro-Brasileira - busca levar a vivência cristã aos grupos negros e despertar a Igreja para os seus problemas específicos.

Pastoral da Comunicação - busca desenvolver estratégias de comunicação para a Igreja, sendo responsável pela divulgação das atividades nas paróquias e dioceses, bem como pela publicação de informativos.

Pastoral de DST/Aids - Sempre de acordo com os princípios da Igreja, trabalha na prevenção da Aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), bem como busca atendimento àqueles que já tiverem contraído a doença.

Pastoral da Cultura - busca promover o diálogo da Igreja com as várias expressões de cultura popular e intelectual, bem como trabalha na preservação dos bens culturais da Igreja.

Pastoral da Educação - atua na Evangelização dos educadores.

Pastoral da Juventude do Brasil - atua organizando a ação dos jovens na Igreja. De maneira geral, coordena as ações dos vários grupos de jovens existentes em cada paróquia.

Pastoral da Mobilidade Humana - Tem como objetivo evangelizar as pessoas que estão em trânsito. Atua, portanto, em locais como rodoviárias, portos, etc, tendo denominações específicas de acordo com seu âmbito, como "Pastoral da Estrada", etc .

Pastoral da Sobriedade - atua junto aos dependentes químicos - viciados em drogas ou álcool - procurando ajudá-los a vencer o vício.

Pastoral da Pessoa Idosa - busca assegurar a dignidade e a valorização integral dos idosos, através da promoção humana e espiritual, respeitando seus direitos.

Pastoral do Turismo - busca conscientizar os fiéis para o turismo sadio, bem como para a acolhida de turistas e peregrinos.

Pastoral dos Brasileiros no Exterior - em cooperação com igrejas locais, busca apoiar os brasileiros emigrados tanto na sua adaptação quanto na preservação de seus valores e de sua cultura.

Pastoral Familiar - busca preparar homens e mulheres para a vida matrimonial e familiar. Também atua na evangelização e promoção humana, social e espiritual das famílias já constituídas.

Pastoral Litúrgica - promove a formação litúrgica, a inculturação da liturgua e auxilia a liturgia diária da Santa Missa.

Pastoral Universitária - Busca Evangelizar os estudantes universitários

Pastoral Vocacional - busca despertar homens e mulheres, especialmente os jovens, para sua vocação - seja ela laica, religiosa ou sacerdotal.

Pastorais Sociais - atuam junto a seguimentos sociais específicos. Entre outras, há a Pastoral dos Pescadores, das Pessoas com Deficiência, dos Nômades (atua junto a ciganos e trabalhadores circenses, por exemplo), a Pastoral dos Operários, a Pastoral dos Migrantes, a Pastoral do Povo de Rua (atua junto aos moradores de rua), a Pastoral da Mulher Marginalizada (atua junto a prostitutas), a Pastoral da Terra (atua junto àqueles que vivem da terra, como agricultores e índios).

Pastoral Carcerária - busca Evangelizar presídios e cadeias e defender os direitos humanos dos detentos. Também integra o conjunto das Pastorais Sociais.

Pastoral da criançaPastoral da Criança - combate a desnutrição e mortalidade infantil e busca a melhoria da qualidade de vida das crianças. Tem realizado um trabalho de grande relevância para a queda da mortalidade infantil no país. Também integra o conjunto das Pastorais Sociais.

Pastoral do Menor - atua junto aos adolescentes de baixa renda, buscando resgatá-los da criminalidade. também tem como objetivo despertar a sociedade para o problema. Também integra o conjunto das Pastorais Sociais.

Pastoral da Saúde - busca prestar assistência aos enfermos, seja em casa, seja nos hospitais.Também integra o conjunto das Pastorais Sociais.

Localmente também são organizadas outras pastorais, que atuam de acordo com as necessidades específicas.

Oportunamente, abordaremos de forma mais detalhada as principais pastorais aqui mencionadas.

O verbete da próxima semana será: A Pastoral Familiar

"O que pode temer o filho nos braços do Pai?"

São Pio de Pietrelcina