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segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Humanidade


A história da humanidade tem sido uma luta constante marcada por destruição, mortes, violência, dor e lágrimas. Ao longo dos últimos milênios, desde que os primeiros humanos propriamente ditos deixaram as terras africanas e se espalharam pelo mundo inteiro, tudo que os homens fizeram sobre a terra foi conquistar, matar, aniquilar e destruir.

Guerras por novas terras, disputas territoriais, conquistas de cidades e, enquanto isso acontece, assassinato de quem é encontrado pelo caminho. Simplesmente por estar no caminho! Antes, geralmente, ocorrem estupros e abusos de toda espécie, tanto de mulheres como de crianças e adolescentes. Perde-se a noção de limites e a consciência de respeito pelo semelhante. Tudo e todos são envolvidos numa selvageria sem precedentes.

Em todos os tempos, em todos os lugares, passando pela história de todas as culturas, sempre a guerra foi um manto negro de terror cobrindo os seres humanos. Mesmo sabendo disso, os seres humanos ainda persistem, e insistem, em entrar em guerras o tempo todo e em todo o mundo. Ásia, África, Europa, América... em que lugar do planeta não houve guerras? Talvez na Antártida e na Groenlândia, quem sabe no pólo norte... ao menos por enquanto.

E os motivos para tantas guerras? À luz da razão, realmente têm sentido? São justificáveis? Ora, as guerras normalmente são causadas pela cobiça de mais terras, pela ganância em ter mais recursos minerais, por controlar as reservas de petróleo; algumas vezes, advêm de invasões por povos famintos. Neste último caso, entretanto, o que ocorre é um verdadeiro massacre dos povos famintos. Então, não se pode afirmar que seja uma guerra.

Guerras e batalhas são bonitas em filmes. Muito mais ainda quando são batalhas entre os seres humanos e seres não-humanos. Orcs e cavaleiros negros travando batalhas com humanos e elfos, por exemplo, é algo realmente empolgante. Ou então, seres extraterrestres lutando contra os humanos em naves espaciais também produz um efeito magnífico. E como não lembrar do Leão surgindo nos momentos finais da batalha e dando a vitória aos humanos e aos seus aliados? No mundo da fantasia, as guerras são empolgantes, as batalhas são bonitas, os mortos são heróis, os feridos são curados, o bem triunfa sobre o mal. Mas, no mundo real, não têm nada de belas e não é possível dizer quem é do lado do bem e quem é do lado do mal. São todos seres humanos, iguais em dignidade e natureza, seres inteligentes e possuidores do livre arbítrio. Se são todos iguais, como podem uns serem absolutamente maus e outros absolutamente bons? São humanos, antes de tudo!

Os seres humanos não conseguem se entender e, portanto, não conseguem conviver. Ora, quem não consegue conviver obviamente não consegue viver. Desta forma, a vida vai sendo destruída dia após dia, ano após ano, século após século, milênios após milênios. Em cerca de cinqüenta mil anos de história dos humanos propriamente modernos, isto é, homens e mulheres como nós que hoje vivemos, somente conflitos entre uma tribo e outra, entre uma nação e outra. Assim como há milhares de anos atrás um bando corria perseguindo outro com paus e lanças, hoje continua do mesmo jeito, ou seja, uma nação perseguindo a outra com armas, aviões e sanções econômicas. Mudou alguma coisa? Nada! O que mudou foram os materiais em si, mas o sentido de perseguição e destruição permaneceu o mesmo. O que é mais grave é constatar a absoluta ausência de compreensão e de solidariedade entre os seres da mesma espécie, da espécie humana.

Desde o princípio, Deus fez os seres humanos para viver em absoluta comunhão de amor e vida. Desde o início do tempo e do espaço, o Senhor vem preparando o universo para que os seres humanos nele habitem em harmonia e concórdia. Galáxias, estrelas, superaglomerados, planetas, continentes, a água... tudo isto existe, pois assim o parece, em função de propiciar um lugar no tempo e no espaço para o ser humano existir e, existindo, viver e conviver.

Será assim tão difícil compreender a infinita grandeza e bondade de Deus refletida e revelada em sua obra? Será assim tão impossível ao ser humano compreender que tudo que o Senhor quer de seus filhos é que estes vivam e convivam em paz para que sejam felizes a começar aqui mesmo na terra?

Jesus falou muito sobre a paz e o quanto é importante viver em paz com o mundo e com os semelhantes. Aos que promovem a paz, Jesus os chamou de bem-aventurados. Ser bem-aventurado é, em seu significado mais simples, ser feliz. Somente isso! Ser feliz.

Nilson Antônio da Silva

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Decisões

As pessoas tem medo de tomar decisões; de se comprometer; de assumir os riscos e agir de acordo com suas escolhas.Tem gente que adora se fazer de vítima o tempo todo. Que gosta dos programas sociais, de participar de campanhas, mas sempre sem se comprometer de maneira efetiva.

Algumas pessoas tem medo de ter fé.

Ter fé é uma decisão. É olhar para si mesmo e assumir o compromisso, dizendo eu acredito e assumo os riscos. Riscos sim, porque acreditar em Deus e professar a fé na Igreja Católica Apostólica Romana é algo maravilhosamente complexo.

Hoje no trabalho, um colega que não pertence a nenhuma religião, mas que, segundo suas informações acredita em Deus, disse que eu era meio pretensiosa por acreditar que Deus se preocupava comigo. Hum, confesso que até um certo tempo atrás sempre pensava em não pertubar Deus com coisas com menor importância, mas sobre as coisas sérias eu sempre conversei.Hoje converso sobre tudo. Me decidi, assumi os riscos e estou amplamente amparada.

Ouvir esse tipo de posicionamento me assusta e ao mesmo tempo conforta. Doí saber que nossos irmãos ainda não conseguiram identificar a grandiosidade contida no sacrifício de cruz. Doí saber que muitas pessoas ainda não acreditam no amor que Deus nutre por nós. E me conforta, por saber que assim como eu, existem várias pessoas por todos os lados que sabem reconhecer os sinais de Deus em suas vidas.

Quando olho para para trás percebo que por mais dolorosas que fossem as situações, Deus estava lá comigo sinto um sentimento de compaixão por aqueles que ainda não experimentaram a eficácia redentora. Deve ser altamente solitário não ter fé. Amor e amizade são sentimentos fantásticos, que nos alegram e suplementam. Mas é a fé e o amor em Deus que nos completa.

Ouço em diversas situações as pessoas falando que o amor é o complemento da vida. Sinceramente não acho que seja bem assim. É uma opinião pessoal: acredito que o amor a Deus é complemento, e que o amor ao próximo é suplemento. Não entendam de forma errada, acredito que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos. Entretanto, existem pessoas que acreditam que amando loucamente o seu próximo serão completos. Tal afirmação é falaciosa, visto que o amor completo só existe em Deus.

Amar a Deus é uma decisão que nos torna completos, que supre aquela ausência que sentimos em nossas vidas.

É preciso decidir rápido, correr os riscos e seguir adiante. A força daquele que caminha com Deus no coração e na mente é a força do Espírito Santo. Acreditar é se doar e receber doação. Tudo é graça e para a graça nos conduz. Faça sua escolha, tenha fé, creia em Deus, siga sua Igreja, se comprometa. Evangelize, propague aos quatro ventos a palavra de Deus.

A decisão é sua... tenha Fé.
E siga o conselho do Padre Reginaldo Manzotti: " Evangelizar é Preciso" !

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Beleza do Mundo


O mundo é belo porque é obra da vontade de Deus. As leis naturais, sobre as quais se mantém a criação inteira, são perfeitas porque foram criadas pelo Senhor. O universo inteiro, ou seja, cada galáxia com seus bilhões de estrelas e planetas, a Terra com suas montanhas, oceanos e milhões de seres vivos, tudo isto Deus criou. Da menor plantinha à árvore com dezenas de metros, do menor inseto à baleia imensa, do menor beija-flor à águia que voa entre as nuvens... enfim, tudo é criação de Deus.

Desde o início dos tempos, há bilhões de anos atrás, a natureza inteira vem se formando conforme a vontade do Senhor. Deus tirou do nada tudo o que existe e, de tudo o que existe, só existe porque é mantido pela vontade de Deus. Sem Deus, tudo volta ao nada de onde foi tirado.

As madrugadas frias, quando o sol vai lentamente tocando os cumes das montanhas e, pouco a pouco, vai alcançando as pradarias, refletem a beleza de Deus. A chuva que cai mansamente em dias de verão e também as tempestades de fim de estação refletem a beleza e a grandeza de Deus. A brisa suave que brinca com as pequenas plantas e também os vendavais que sacodem as árvores refletem a beleza, a grandeza e a perfeição de Deus. Ora, Deus é perfeito. Portanto, a natureza inteira, que é sua criação, é perfeita.

Nós, seres humanos, somos parte da natureza que Deus criou. Não estamos acima da criação para que possamos nos dar o direito de destruí-la. Quando destruímos a criação de Deus, estamos destruindo algo do qual somos parte e, mais ainda, estamos destruindo algo que não nos pertence. Deus permitiu que usássemos a criação em nossa vida, mas não que a destruíssemos.

Um dos grandes enganos do ser humano é pensar que tudo na natureza é eterno. Ora, na natureza nada é eterno. Nem mesmo durável, se visto em padrões de tempo mais longos. A duração de uma vida humana é extremamente breve, a duração da vida da grande maioria dos seres vivos é muito curta. Quantos seres vivos vivem mais que duzentos anos? Algumas árvores, raros animais. Quantos vivem mais que cem anos? Algumas poucas pessoas, outras poucas árvores e ainda poucos animais.

Nem mesmo as montanhas são eternas. Nem mesmo os mares são eternos. Quantas cordilheiras já nasceram, se acabaram e surgiram outras em lugares distantes. Quantos mares já secaram e outros se formaram em lugares diferentes. Os continentes não são eternos, os oceanos não são eternos. Os rios, por maiores que sejam, não são eternos. As florestas, por mais densas que sejam, duram poucos milhares de anos.

Os planetas não são eternos, as estrelas não são eternas. A Terra um dia será engolida pelo Sol, que também morrerá. As galáxias não são eternas e também morrerão. Até mesmo o Universo morrerá. E o que restará? Somente um vazio, talvez um rastro do que existiu durante um certo tempo que, comparado à eternidade, torna-se insignificante.

Então, o que é eterno? O tempo? Mas o tempo também foi tirado do nada e se acabará. Quem é eterno? Somente Deus é eterno. Somente Deus pode dar ao homem a vida eterna. Portanto, respeitemos a obra que Deus criou - o universo inteiro - e amemos ao Criador que pode nos dar a vida eterna. Sem Deus, voltamos ao nada do qual fomos tirados. Sem Deus, somos somente pó que é levado pelo vento do tempo sem deixar nenhum sinal de sua passagem pela terra.

Nilson Antônio da Silva

domingo, 28 de junho de 2009

Obamaníacos furiosos com Transformers 2

(O assunto é um pouco off-topic mas acho que cabe aqui.)

Ver o pseudo-salvador-da-humanidade ser alvo de gozação é sempre bom. Mas nestes tempos em que vivemos, tirar sarro da cara de Barack Hussein Obama é coisa que nunca fica impune. Que o diga o diretor Michael Bay, de Transformers 2.

Os críticos de cinema estão furiosos com ele, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil. A razão é que o filme mostra um representante do presidente - e, coisa raríssima nos filmes americanos, não se trata de um presidente fictício, tanto que o nome Obama é citado com todas as letras - fazendo de tudo para sabotar a aliança entre humanos e autobots (os robôs do bem, liderados por Optimus Prime). O sujeito atrapalha não porque seja mau, mas simplesmente porque é um tapado - na verdade, representante de um governo tapado. Há um momento em que ele diz que é preciso usar da diplomacia para com os decepticons (os robôs maus, que só querem destruir a humanidade) e chega-se a aventar a posibilidade de aceitar a exigência feita pelos decepticons e lhes entregar de bandeja o personagem Sam, o protagonista.

O mais simbólico, no entanto, é uma breve fala de um militar que informa aos outros e a nós, no exato momento em que a coisa fica preta - politicamente corretos, caiam fora! -, que "o presidente Obama já está em segurança". A frase, nitidamente, traduz um "ele correu pra se esconder". Já o momento mais saboroso do filme é quando os militares resolvem despejar de um avião o representante de Obama, dando-lhe, claro, um paraquedas e um GPS. Pena que não se pode fazer o mesmo com uns e outros.

Aí, claro, os obamaníacos (uns 90% da indústria de entretenimento americana) não gostaram e começaram a fazer biquinho. O Criative Minority Report fala um pouco sobre isso.

Repito que Transformers 2 não é nenhum grande filme e nem dá grande exemplos morais. A atriz Megan Fox é incessantemente explorada nas cenas e fica-se até com certa sensação de calendário de oficina. Isso, certamente, é um erro do diretor, que optou por fazer um filme "testosterona pura": carros, mulheres e explosões, e só. Mesmo assim, o filme exalta alguns bons valores, como a amizade (Bublebee/Sam, Optimus/Sam) e o sacrifício em prol dos outros. Fora que, sim, é divertido.

O que me chama a atenção nisso tudo é que não se pode criticar Obama. Em toda a imprensa mundial há uma muralha de proteção em torno dele, que busca protegê-lo de tudo e que despeja óleo fervente sobre os que tentam ultrapasar essa barreira. Obama se colocou num pedestal e a imprensa volta suas baterias contra os que não respeitam isso. Tudo tem que ser descontruído, a iconoclastia é exaltada quando se trata de atacar valores e tradições. Já Obama, não. Ele é uma divindade que não pode ser contestada. A ele, que se devote amor, admiração e obediência. Ou lá vai óleo fervente!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Jesus e os Amigos


Deus dá um valor infinito à amizade. Deus sempre se fez amigo do homem da maneira perfeita, isto é, vivendo e fecundando a amizade pura que se realiza através da incondicionalidade. Amizade incondicional é aquela que se faz e que se vive simplesmente por puro amor, sem nada exigir em troca, mas tão somente vivendo para o outro de forma total. Palavras difíceis estas, não?

O ser humano, geralmente, busca antes a si mesmo, ou seja, o que conta em primeiro lugar é satisfazer as suas próprias vontades. Então, como se entregar incondicionalmente a uma amizade? Mas, se entregar-se, como não querer nada em troca?

Muitas vezes, os desentendimentos entre amigos, entre familiares, entre namorados e esposos, veem justamente de não se conseguir viver plenamente a amizade. As pessoas não compreendem o que é a amizade e, portanto, não a cultivam. O Padre Zezinho já cantava que “amor que é amor nunca morre...” Mais adiante, continua dizendo que o mesmo amor é como um jardim, cujas roseiras se não cultivadas, murcham e secam. Assim, cultivar a amizade e fazer com que floresça viçosa durante o tempo todo, é uma atitude saudável para a vida.

Talvez me perguntarás, caro leitor, com o que cultivar a amizade... que tal começar com um pouco de compreensão. Compreender as fraquezas, limitações e naturais falhas dos amigos é, sem dúvida alguma, o primeiro e mais importante passo. Todos nós somos iguais e, portanto, não podemos esperar que nossos amigos sejam de aço e que não tenham momentos de fraqueza como nós temos. Eles são iguais a nós e nós somos iguais a eles porque somos humanos.

Em seguida, muito ajuda a fazer florescer uma amizade um bocadinho de doação. Doação de si mesmo. Doação do tempo seu para os amigos. Doação de um pedaço de sua vida, de sua alma, para os amigos. Esta é a parte mais fácil de fazer, não é? Abrir mão de seus afazeres, às vezes somente para cultivar as amizades... todo mundo consegue fazer isso o tempo todo!

Finalmente, amar os amigos como Jesus amou os seus amigos. Como o Senhor amou os seus amigos? Ele os compreendeu plenamente, ele os aceitou plenamente do jeito como eram, ele não exigiu nada em troca de sua amizade senão amor. E, por fim, entregou a própria vida por eles, por cada um deles e também por cada um de nós. Claro, Jesus também teve amigos que não o compreenderam e nem aceitaram a sua amizade gratuita e, mesmo assim, ele acolheu a todos. E continua acolhendo a todos, em todos os tempos e em todos os lugares!

Jesus é o modelo da amizade perfeita, pura, gratuita, desinteressada, cuja única expectativa é o amor. O amor incondicional, que é por natureza gratuito, é o único e mais salutar adubo para fecundar e fazer florescer a amizade entre as pessoas.

Nilson Antônio da Silva

domingo, 21 de junho de 2009

Ouvir as Palavras do Senhor


Jesus gostava muito de ouvir as pessoas, de ouvir seus amigos, de ouvir o que o outro tinha para falar. Ele conhecia o que se passava no coração de cada um mas, mesmo assim, gostava de ouvir o que desejavam dizer.

Deus é assim mesmo; sabe tudo que se passa conosco e, ainda assim, gosta de nos ouvir falando com ele. Nossa voz chega aos ouvidos do Senhor e é de seu agrado nos escutar. Por outro lado, de nossa parte também é preciso que saibamos escutar o que o Senhor nos diz. E ele diz tantas coisas, tantas palavras de afeto e de ternura, tantas palavras de consolo e de paz.

Deus sempre se comunicou com o homem através de palavras. Desde o princípio, durante toda a história humana, em nossos dias... até o fim dos tempos. A criação inteira originou-se da palavra criadora de Deus – Fiat lux! O evangelista João nos lembra que “a palavra se fez carne e habitou entre nós”! Portanto, Deus gosta de falar, de conversar e de escutar. É um diálogo constante entre ele e o ser humano.

Por ser um diálogo, de ambos os lados há um emissor que é também um receptor da fala. Quando Deus fala, o homem deve escutar pois, quando o homem fala, o Senhor escuta. E mais ainda: o Senhor acolhe, compreende e atende! Quanto a nós, podemos afirmar o mesmo? Realmente acolhemos a palavra de Deus? Conseguimos compreender o que o Senhor nos diz? E, o mais importante, atendemos com prontidão de alma e coração o que o Senhor nos pede?

Nossos ouvidos, na maioria das vezes, estão ocupados em ouvir tantos sons e ruídos que nos rodeiam, que se esquecem de se voltar para a palavra que vem de Deus. São as músicas das rádios e discos, o barulho ensurdecedor de automóveis e ferramentas, o monólogo das tevês, enfim, são tantas coisas a dispersarem e distraírem nosso pensamento. Desta forma, nossa mente se enche de notícias, conversas triviais, sons, letras de músicas da moda e tantas outras preocupações que não deixamos espaço em nosso tempo para escutar o Senhor falar conosco.

E o tempo vai passando... os dias vão se sucedendo... e nosso coração vai ficando vazio. Então, surgem aqueles questionamentos sobre a vida, sobre o sofrimento, sobre as dores e tristezas do dia-a-dia, para os quais não há resposta. Será mesmo que não há resposta? Respostas existem sim, pois Deus sempre as responde. O que ocorre, entretanto, é que nunca há tempo para ouvir o Senhor falar! Ora, não podemos encontrar respostas para nossos questionamentos sozinhos. Isso está mais do que provado e comprovado! E quem se arrisca a achar respostas por si só, termina num beco sem saída.

No momento em que paramos um pouco e voltamos nossos ouvidos para escutar o que o Senhor fala, então as respostas veem naturalmente e, na maioria das vezes, nem sequer é preciso questionar nada pois o “Espírito sabe o que precisamos”.

Nilson Antônio da Silva

quinta-feira, 14 de maio de 2009

PLC 122/2006: o pecado e o pecador

É correto demitir uma pessoa trabalhadora, esforçada e competente em decorrência de sua preferência sexual? É correto matar um homem porque ele faz sexo com outros homens? Ou humilhar uma mulher porque ela se deita com mulheres?

Para qualquer cristão, não deve ser difícil responder a essas questões com um claro "Não!". A discriminação injusta das pessoas e o tratamento indigno dispensado a elas agridem frontalmente os valores cristãos, que preconizam o amor, a solidariedade, o acolhimento.

Por isso, a muitas pessoas - especialmente aos cristãos que simpatizam com as demandas da esquerda (ou aos esquerdistas que têm simpatia pelo Cristianismo...) - parece contraditório seguir Cristo e ao mesmo tempo se opor ao Projeto de Lei da Câmara 122/2006, que torna crime a discriminação de homossexuais.

Para compreender isso, é fundamental ter em mente o velho adágio "Amar o pecador, odiar o pecado", que, parece, é oriundo de um frase de Santo Agostinho em sua Carta 211: "Cum dilectione hominum et odio vitiorum", ou seja, "Com amor à humanidade e ódio aos pecados".

Muita gente não consegue absorver essa idéia - tanto cristãos como não cristãos. Para eles, não é possível dissociar o pecador do pecado e odiar um implicaria odiar o outro.

Muitos ativistas homossexuais, em especial, vêm na condenação da Igreja ao homossexualismo - o pecado - uma condenação ao homossexual - o pecador. Eles defendem que para acolher o homossexual, é necessário deixar de considerar o homossexualismo como um pecado.

Reside nessa noção o grande perigo do PLC 122/2006, pois ele pretende silenciar todas as pessoas com relação ao homossexualismo - e não apenas com relação ao homossexual. Seu artigo 8º considera crime emitir opiniões de teor moral, ético ou filosófico contra a "orientação sexual", o que equivale criminalizar o opinião contra o homossexualismo.

Ora, devemos acolher os homossexuais como nossos iguais: são filhos de Deus como nós e, portanto, nossos irmãos. Recusar sua companhia, sua amizade, sua colaboração, sua convivência é um pecado pelo qual responderá quem agir sem amor. Mas isso não significa concordar com sua conduta. Pode ser até que essa conduta, no limite, nos obrigue a recusar sua amizade, sua colaboração, sua convivência , se ela nos expuser a situações de escândalo e de risco. Mas se a convivência puder ocorrer de forma saudável, ela deve ocorrer.

Amar o pecador, é bom que se lembre, signifca também corrigi-lo e poder apontar - com caridade - o seu erro. Não cabe a nós julgar o pecador, pois só Deus conhece o coração dos homens, mas não cabe a nós condecender com o pecado.

O que reivindicamos é o direito de amar o pecador, mas continuar odiando o pecado - sem esconder isso. Devemos combater a discriminação injusta, mas é fundamental manter nossa liberdade religiosa e nossa liberdade de expressão, que serão vitimadas caso o PLC 122/2006 seja aprovado. A verdadeira igualdade entre heterossexuais e homossexuais significa não a criação de privilégios, mas o tratamento sem distinções por parte da lei. Ou seja: todos devem ser protegidos das discriminações pela mesma lei que garante a todos a igualdade. Heterossexuais e homossexuais devem ser protegidos da violência pelas mesmas leis que punem o assassinato, o roubo, a calúnia, etc, sem que as preferências sexuais da vítima e do agressor sejam consideradas aspectos importantes do processo - pois isso sim seria discriminação.

Não é possível construir uma sociedade harmoniosa e acolhedroa se o conflito for a base das relações. Infelizmente vivemos tempos em que para promover a dignidade do homossexual parece ser preciso agredir os cristãos e combater a família, que para promover a dignidade damulher parece ser preciso destruir a feminilidade, que para promover a igualdade racial parece ser preciso promover o ódio racial. As estratégiasque vêm sendo seguidas no mundo ocidental estão criando uma sociedade permeada de rancores e de novas injustiças. Só o verdadeiro amor cristão pode gerar uma justiça sem adjetivos, isto é, uma justiça simplesmente justa.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O Papa e o Islam

(pequenas correções foram feitas às 17h)

Posto abaixo, livremente traduzido, trecho de artigo publicado por Damian Thompson, que escreve no jornal britânico Telegraph. Este artigo específico, no entanto, foi publicado pelo jornal The National, de Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes. No longo artigo completo, Thompson traça um perfil do Papa Bento XVI e relembra alguns momentos de seu pontificado. Ao final - no trecho que segue abaixo - ele fala um pouco da personalidade do Papa e destaca um ponto em que ele, em sua opinião, se identifica com os islâmicos. É importante lembrar que o artigo tem como intuito apresentar o líder dos católicos a um público muçulmano. Vamos lá:

"No coração do pontificado de Bento XVI está a convicção de que os católicos devem adorar a Deus adequadamente. Ele quer sanar as feridas causadas pelo cruel repúdio dos liberais aos belos serviços em latim. Em 2007, ele repentinamente eliminou todas as restrições relativas à celebração da missa em latim celebrada antes do Vaticano II. Bento XVI acredita que a liturgia antiga e a nova devem conviver lado a lado, se enriquecendo mutuamente.

Esta política tem alarmado uma geração de católicos mais velhos (incluindo bispos) que foram levados a considerar o Vaticano II como um novo começo, um marco zero. E o Papa pagou um preço por sua falta de aliados no Vaticano: alguns cardeais procuraram explorar a crise.

No entanto, a nova geração está ao lado do Papa, pois os católicos praticantes mais jovens são surpreendentemente conservadores. Eles vêm o Papa como a figura de um avô que os está apresentando a antigos tesouros rejeitados por seus pais hippies. Atualmente Roma está cheia de seminaristas de preto inspirados por esse conservadorismo “beneditino”.

Há interessantes paralelos disso com o Islam. Bento não acredita que Cristianismo e Islamismo possam convergir teologicamente, mas ele compartilha uma compreensão com líderes muçulmanos que crêem que a força de uma comunidade religiosa repousa em suas tradições. Catolicismo liberal e Islamismo liberal têm uma coisa em comum: ambos têm sido pouco capazes de atrair seguidores.

Bento rejeita extremistas de todas as fés, mas ele também não se impressiona com uma religião diluída. E ele está curioso para aprender mais sobre como o Islam está convivendo com a modernização sem abrir mão de sua identidade porque ele está trilhando um caminho semelhante.

Sua visita ao Oriente Médio está repleta de dificuldades. Tantas coisas podem dar errado. Mas o Papa Bento XVI tem uma arma secreta: um charme profundo e autêntico que vence a timidez para conquistar amigos em lugares improváveis.

Quando ele era um velho cardeal, ele caminhava ao longo da Praça de São Pedro toda manhã. Ele não perambulava seguido por um comitê de conselheiros: com freqüência ele estava sozinho e muito satisfeito batendo papo com peregrinos, às vezes por vinte minutos. Este é o lado de Joseph Ratzinger que os muçulmanos, judeus e cristãos da Terra Santa estão para descobrir. Se será suficiente para produzir um triunfo diplomático, é o que vamos ver."

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Porque o PLC 122/06 é perigoso

O projeto de Lei da Câmara 122/2006, que prevê pesadas punições para quem "discriminar homossexuais" pode ser votado no Senado a qualquer momento. A princípio, ninguém deveria ser contra um projeto desses, afinal, ninguém apoia a discriminação injusta de ninguém - entendendo aqui discriminação em seu sentido comum de exclusão social, de humilhação. Mas esse projeto não trata só desse tipo de discriminação. O que o projeto realmente pretende é punir quem rejeita o homossexualismo - o que inclui os cristãos.

O PLC 122/06 foi aprovado pelos deputados no final de 2006 e desde então tramita no Senado. Atualmente, ele está em duas comissões: a de Assuntos Sociais (CAS) e a de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), sendo relatada em ambas pela senadora Fátima Cleide (PT-RO). Posteriormente o projeto deverá passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O projeto é anunciado pela imprensa em geral como aquele que pune a "homofobia". Pessoalmente eu me oponho ao uso dessa palavra, já que ela coloca no mesmo balaio quem mata homossexuais e quem simplesmente não concorda com o homossexualismo - e é exatamente isso, misturar as coisas, que faz o tal projeto.

Há inúmeros pontos polêmicos no texto. O mais complicado deles é o artigo oitavo:
"Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero:
..............................................................
§ 5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica."
O projeto é escrito de forma truncada e vaga. O artigo oitavo afirma que é crime praticar, induzir ou incitar a discriminação de homossexuais, o que envolve a violência, a intimidação, a humilhação e o constrangimento moral, ético, filosófico e psicológico. Ou seja: se uma pessoa disser "praticar o homossexualismo é pecado", um homossexual poderá abrir um processo alegando ter sido constrangido moral, ética ou filosoficamente, pois até a opinião moral e a ponderação filosófica serão considerados crimes - é o delito de opinião sendo recriado no país!

Os pontos polêmicos são muitos ainda. Pelo texto, passará a ser considerado crime demitir, ou deixar de contratar uma pessoa em função de sua orientação sexual. Como provar isso? Com medo de processos, as empresas passarão a privilegiar os gays em suas contratações? Aliás, recusar-se a alugar um imóvel a um homossexual também será crime. É uma flagrante intervenção no direito de propriedade: você será livre para fazer o que quiser com seu imóvel, a não ser que um homossexual queira alugá-lo.

Há ainda a questão do beijo. Impedir manifestações de afeto de caráter homossexual em lugares públicos (na rua, por exemplo) ou lugares privados abertos ao público (bares, shoppings... escolas.. igrejas!) será considerado crime. Os movimentos homossexuais se irritam especialmente com essa questão. Eles afirmam que nem heterossexuais se beijam na igreja. Por que homossexuais o fariam? Ora, para provocar. Evidente que a imensa maioria dos homossexuais jamais faria uma coisa dessas, mas sempre há algum doente. Hoje isso não acontece porque a comunidade escurraçaria a dupla que se prestasse ao ridículo. Mas com a lei amarrando os fiéis... Sei não.

Outra coisa: as punições previstas são todas pesadas, criando uma evidente desproporção entre o suposto crime de discriminação de homossexuais e crimes mais graves como assassinato, roubo, sequestro, etc.

Esse projeto é flagrantemente inconstitucional, o que não quer dizer muita coisa. Vivemos um momento em que o ordenamento jurídico está sendo completamente modificado para eliminar os valores cristãos presentes na cultura brasileira - e na ocidental como um todo. Vide o caso das células embrionárias.

Aliás, os defensores do projeto, homossexuais ou não, sabem que ele é inconstitucional, especialmente no trecho que cria o delito de opinião. Certa vez, conversando com um defensor, bastante versado em direito, ele a princípio negou que houvesse qualquer inconstitucionalidade. Mas depois admitiu que se aprovada, a lei seria levada ao Supremo Tribunal Federal e disse que o STF simplesmente teria que decidir o que valia mais: a liberdade de expressão ou o combate ao que considerava discriminação.

O relatório da senadora Fátima Cleide acolhe o texto integralmente como veio da Câmara. Ah, para quem não sabe, o projeto não foi discutido pelos deputados: numa manobra de seus defensores, ele foi aprovado entre uma votação e outra, sem que se soubesse o conteúdo do que se estava votando. Esse tipo de manobra não é incomum no Congresso.

Foram apresentados também dois votos em separado (relatórios alternativos ao oficial). Um pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que propõe inúmeras modificações no texto, eliminando a maioria das partes mais polêmicas e abrandando as punições, e outro do senador Magno Malta (PR-ES), que propõe simplesmente a rejeição integral do texto, argumentando, com toda a propriedade, que o projeto é completamente desnecessário, uma vez que a igualdade de todos perante a lei é garantida pela Constituição, de modo que os crimes cometidos contra homossexuais já são punidos pelas leis comuns.

Esses dois votos em separado, no entanto, só poderão ser votados se o relatório de Fátima Cleide foi rejeitado - o que acho difícil de acontecer, já que a patrulha politicamente correta é extremamente vigilante.

Por isso é importante manifestar aos senadores nossa opinião. Assim, eles poderão ser estimulados a votar de acordo com a vontade da sociedade e não com a vontade das ONGs de esquerda.

Para saber quais senadores integram a CAS, clique aqui.
Para ler o texto integral do projeto, clique aqui.
Para ler um resumo do projeto, clique aqui.
Para conhecer os principais argumentos contrários ao projeto, clique aqui.
Para conhecer os principais argumentos favoráveis ao projeto, clique aqui.

sábado, 25 de abril de 2009

Padre americano acredita que esta geração verá aborto ser proibido nos EUA


Integrante do movimento Priests for Life (Padres pela Vida) o padre Frank Pavone escreveu um artigo muito interessante defendendo a tese de que o movimento pró-vida está se fortalecendo nos Estados Unidos de tal forma que a atual geração verá o aborto ser proibido no país. No artigo, intitulado Ten Reasons Why the Pro-life Movement is Winning, o padre lista dez sinais que, em sua visão, demonsram que o movimento pró-vida americano está bem mais perto de atingir seu grande objetivo do que se imagina. Por outro lado, ele faz um alerta, dizendo que essa expectativa de vitória requer ainda mais compromisso e esforço na luta contra o aborto, uma vez que os abortistas ficarão mais e mais virulentos à medida que perceberem a iminência da derrota.

Para ler o texto original, completo, clique aqui. Abaixo, os dez sinais apontados por padre Frank Pavone:

1 - Os "sobreviventes" - para o padre, o mais claro sinal do fortalecimento do movimento pró-vida é a crescente adesão de jovens. Segundo ele, ao serem perguntados sobre o posicionamento contra o aborto, os jovens costumam responder: "podia ter sido eu!!!"

2 - O fluxo de conversões - padre Pavone observa que dificilmente se vê um defensor da vida tonar-se abortista. Já o contrário é cada vez mais comum. Ele menciona um grupo de funcionários de clínicas de aborto arrependidos, chamado Society of Centurions, Sociedade dos Centuriões. E não deixa de fora o Dr. Bernard Nathanson, antes um dos maiores médicos abortistas do país, hoje um entusiasta da causa pró-vida.

3 - Arrependimentos - ele também destaca o grande número de mulheres e homens que abortaram seus filhos e agora se arrependem disso, tendo percebido que o aborto, em vez de resolver um problema, cria outros muito maiores.

4 - Queda no número de médicos abortistas - Este é um sinal bem palpável. De acordo com padre Pavone, em 1993 havia mais de 2 mil clínicas de aborto nos Estados Unidos. Hoje o número gira em torno de 740. Uma grande parte dessas clínicas teria fechado, de acordo como padre, porque o número de médicos dispostos a fazer abortos é cada vez menor. Em apenas 20% dos condados americanos haveria médicos abortistas - e eles estariam sendo cada vez mais mal vistos na profissão.

5 - Decisões judiciais favoráveis aos fetos - Padre Pavone lembra que cada vez há mais decisões judiciais garantindo os direitos de crianças não-nascidas. Ele acredita que, com o tempo, os tribunais terão que reconhecer que elas devem ser protegidas integralmente pela Constituição.

6 - Pesquisas sobre aborto - Além disso, estaria ficando cada vez mais claro, graças a pesquisas científicas, que o aborto prejudica física e psicologicamente as mulheres que o fazem.

7 - Os abortistas estariam sem argumentos - Antigos argumentos de que a legalização do aborto iria fortalecer as famílias (parece que isso foi dito nos EUA), diminuir o abuso de crianças e melhorar as condições sociais no país demonstraram, após trinta anos de legalidade do aborto, serem falsos. Por outro lado, a Medicina, a Sociologia, a Psicologia, a Filosofia e as religiões continuam a fornecer argumentos válidos contra o aborto.

8 - Bandeira política - cresce o número de eleitores que consideram o posicionamento do candidato a respeito do aborto como um fator determinante do voto. Padre Pavone cita uma pesquisa segunda a qual 36% dos entrevistados dizem que o assunto afetou seus votos nas eleições de 2006, sendo que quase dois terços desse grupo são contra o aborto e apenas um terço a favor.

9 - Decisões legais restritivas ao aborto - nos últimos anos algumas decisões importantes restringiram o direito ao aborto. A prática, feita por meio do "aborto por nascimento parcial" foi proibida e as crianças nascidas vivas depois de um aborto mal sucedido passaram a ser protegidas pelo Born-Alive Infants Protection Act. Acreditem: antes não eram.

10 - Escândalos de Corrupção - outros crimes relacionados à prática do aborto estão vindo a público: erros médicos, abusos sexuais cometidos em clínicas de aborto e outros casos que estão manchando cada vez mais o nome da indústria abortista.

Otimismo excessivo? Talvez não. Os Estados Unidos legalizaram o aborto e abriram as portas do inferno: fica cada vez mais claro o grande erro cometido. No Brasil a situação é diferente: o aborto ainda soa como uma bandeira libertadora (como somos atrasados!) nas boca de Lula, Dilma e Temporão. Como ainda não há resultados negativos da legalização da prática, fica mais difícil demonstrar a falácia dssa gente. Mas podemos mostrar o que ocorre nos Estados Unidos como argumento.

Aliás, padre Franck Pavone deixa para o final a razão mais clara que demonstra que, no final, os defensores da vida inelutavelmente vão vencer: Jesus Cristo ressuscitou e está ao nosso lado. Como li outro dia: Deus não perde batalhas.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Susan Boyle e o amor de Deus


(Primeiro uma necessária introdução e em seguida um texto bem interessante que achei sobre o evento mais comentado dos últimos dias.)

Assistir ao agora muitíssimo famoso vídeo de Susan Boyle é uma experiência curiosa. Acho que eu senti reações muito parecidas com as que devem ter sentido as pessoas sentadas na platéia do programa britânico. Primeiro: "que mulher desengonçada é essa? O que ela pensa que está fazendo?". Depois "isso, pelo menos, vai ser engraçado". E por fim: "Meu Deus!". Susan Boyle arrebatou o mundo inteiro - parece que seu vídeo já é o mais visto de todos os tempos no Youtube - e continua rendendo notícias.

Fiquei realmente encantado com seu jeito tímido e meio sem noção. Ela parece ser uma pessoa simples e boa. É uma mulher que teve algumas dificuldades na vida - tinha deficiência de aprendizagem, não sei casou. de Jeito nenhum parece ser, aos olhos do mundo, "bem sucedida".

Mas ela é devotada à família, tendo cuidado da mãe doente por muito tempo. Gostei de saber que ela é católica. Parece que ela participa ativamente das atividades de sua paróquia, Nossa Senhora de Lurdes (que sortudos hein? Eles a tiveram só para eles por muitos anos). O padre Basil Clark, que diz tê-la acompanhado inúmeras vezes em peregrinações da Legião de Maria, disse em entrevista que seu talento não era nenhuma surpresa. Ele disse também que ficou impressionado com o assédio que ela vem sofrendo.

Fico preocupado com isso. Ontem vi que algum idiota mal intencionado ofereceu um milhão de dólares para que ela estrele um filme pornô. Ou seja: o fato de ela ter se declarado virgem já começou a alimentar, por um lado, a libido de muita gente doentia e por outro, a mente de pessoas que não podem suportar que tal coisa - castidade - exista no mundo.

Rezo a Deus para que Susan Boyle saiba viver esse momento ao mesmo tempo excitante e perigoso. Que saiba colocar os valores que, parece, sempre cultivou, acima das perversões que agora começam a bater à sua porta. RQue saiba viver o sucesso, sem se afastar de Deus. Rezo para que Ele a continue protegendo.

Agora, o texto de que falei no começo. Seu autor é o jesuíta James Martin. O texto foi publicado no dia 16 pela revista católica America. O original em inglês está aqui. Abaixo, minha tradução (me desculpem possíveis erros):

Susan Boyle e o Amor de Deus

Certamente, haverá alguns leitores que vão achar este um assunto inapropriado para o blog da revista Catholic. E que irão, sem dúvida, revirar os olhos. De jeito nenhum esse é um assunto novo. Mas eu tenho que perguntar: Você viu o vídeo da mulher chamada Susan Boyle cantando no programa do tipo American Idol chamado Britain’s Got Talent?

Pode ser o melhor exemplo de como Deus nos vê – e de como o mundo frequentemente não nos vê.

A senhora Boyle, uma mulher desempregada de 48 anos, gorducha e cafona, que de forma tocante se descreveu diante das câmeras como “nunca casada, nunca beijada”, vive num pequeno vilarejo escocês no apartamento em que foi criada, com seu gato, Peebles. Católica devota, ela passou a maior parte dos últimos anos cuidando de sua mãe adoentada, que faleceu recentemente aos 91 anos. Quando ela apareceu no palco de Britain’s Got Talent, você podia ver as caretas de desprezo na platéia. E quando a mulher grandalhona anunciou, sorrindo, que cantaria a vocalmente desafiadora canção I Dreamed A Dream, do musical Les Miserables, você podia ver os juízes (incluindo o onipresente Simon Cowell) literalmente revirar os olhos em mal disfarçada desaprovação. Por favor.

Quando a senhora Boyle abriu a boca, entretanto, surgiu uma voz que silenciou seus críticos.

Seu vídeo no Youtube, na última contagem tinha recebido, contando todas as suas versões, dezenas de milhões de acessos. Por quê? Há algumas razões, umas óbvias e outras não. Primeiro, há o fator choque: que surpresa essa mulher desconhecida cantar tão bem! Onde ela esteva esse tempo todo? Segundo, o fator empatia: nós sentimos compaixão por uma mulher um tanto modesta que parece ter sido tão sem sorte na vida. Terceiro: o fator aparência física: estrelato ou mesmo sucesso em programas como American Idol são tipicamente territórios dos belos e jovens. Não são para pessoas como Susan Boyle. Quarto, o fator Grande Descoberta: a excitação de talvez ver o nascimento de uma nova carreira, uma pessoa desconhecida empurrada para a fama. Além disso, a inexplicável ressonância das letras da música escolhida, por alguém que parece estar passando por um momento bem difícil na vida: “Eu sonhei um sonho no tempo que passou / Quando a esperança era grande / E a vida merecia ser vivida / Eu sonhei que o amor nunca morreria / Eu sonhei que Deus perdoaria”.

Mas deve haver algo mais para explicar nosso prazer e aqueles milhões de acessos.

O jeito como vemos Susan está muito próximo do jeito como Deus nos vê: importantes, especiais, talentosos, ímpares, belos. O mundo geralmente olha desconfiado para pessoas como Susan Boyle, isso quando as vê. Sem a beleza clássica, sem emprego, sem marido, vivendo numa cidade pequena, pessoas como Susan Boyle podem não parecer particularmente “importantes”. Mas Deus vê a pessoa real, e compreende o valor dos dons de cada indivíduo: rico ou pobre, jovem ou velho, solteiro ou casado, matrona ou estrela de cinema, afortunada ou sem sorte na vida. Deus nos conhece. E nos ama.

“Todo mundo é alguém”, disse o arcebispo Timothy M. Dolan na missa de sua posse em Nova Iorque ontem. É outra razão pela qual os jurados sorriram e a audiência explodiu em aplausos.

Porque eles reconheceram uma verdade básica que Deus colocou bem fundo dentro deles: Susan Boyle é alguém.

Todo mundo é alguém.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Deus abençoe os sacerdotes

Uma grande notícia foi dada por alguns veículos de mídia recentemente: a de que voltou a crescer o número de padres. O jornal carioca O Dia publicou uma ótima matéria sobre o assunto, informando que foram ordenados em 2008 no Brasil 220 novos sacerdotes, sendo que a média dos dez anos anteriores era de 55 por ano. Além disso, ainda segundo a reportagem, muitos seminários estão sendo obrigados a recusar candidatos por falta de vagas.

Os blogs Veritatis Splendor e Por que não dizem... repercutiram essa notícia com uma análise que considero bastante correta: a firmeza doutrinal, ao contrário do que pensava (e desejava...) muita gente, está incentivando o florescimento de novas vocações.

Espero que seja o fim do triste inverno vocacional que o mundo viveu nas últimas décadas. Nos anos 80 e 90 o número de candidatos ao sacerdócio caiu drasticamente, a idade média dos padres aumentou. Em geral, os especialistas apontam o relativismo (em suas vertentes moral, religiosa e cultural) como a principal razão disso. Para piorar, a partir dos anos 90 estouraram seguidos escândalos de pedofilia envolvendo padres – e os pecados de uns acabaram, na opinião pública, recaindo sobre todos.

Os padres, em certa medida, passaram a ser muito mal vistos. Acho que ao longo da história sempre houve, paralelamente ao sentimento de reverência que os sacerdotes merecem, um sentimento de incompreensão que se aproximou muito, nos últimos tempos, da aversão. Sempre houve gente que achava que os padres “não trabalham”, ou que são homens só pela metade. Mas recentemente, acho que isso piorou.

A título de exemplo: há algum tempo, ouvi uma mãe dizer, em tom de brincadeira, que seu filho de quatro anos um dia seria padre. O marido, mais que depressa, disse: “de jeito nenhum!” Por que isso? Acho que, nesse caso, é uma forma estúpida de machismo, que deprecia a virilidade dos sacerdotes e exalta a, digamos assim, “galinhagem” masculina. Acho que esse pequeno exemplo mostra bem como muita gente encara os sacerdotes: com certo desprezo, alguma galhofa. E certamente muita gente pensa – mesmo que não fale claramente – que o sacerdócio é uma “profissão” para jovens “fracassados”, que não teriam melhor perspectiva profissional ou mesmo afetiva na vida.

Tenho enorme respeito e admiração por todas as pessoas que decidem seguir o sacerdócio ou a vida religiosa. São homens que se sacrificam em prol de todos. Se eles não decidissem abrir mão da família e da vida sexual, da riqueza material, de certas liberdades, de sucesso mundano, nós não teríamos quem consagrasse o Pão e o Vinho e estaríamos privados da Eucaristia! Não teríamos quem nos ouvisse em confissão e estaríamos privados da reconciliação com Deus!

Que o Senhor abençoe todos os sacerdotes e todos os seminaristas! Que Ele fortaleça suas vocações e os ajude a trilhar esse caminho difícil, mas glorioso. E que Ele nos ajude a ser mais reverentes – e se necessário, pacientes – com todos os sacerdotes.

Para finalizar, recupero dois vídeos que já foram indicados aqui. Eles são as partes I e 2 do breve documentário "Fishers of Men" ("Pescadores de Homens"), da produtora americana Grassroots Films e tratam da beleza e dos desafios do sacerdócio. Muito bonitos:

Fishers of Men - Parte 1:



Fishers of Men - Parte 2:

terça-feira, 7 de abril de 2009

Deixe Cristo entrar em sua vida


Não é fácil ter tempo para Deus; não é fácil pensar nEle. O mundo anda tão corrido, tão complicado, que é mais simples deixar para depois. Há o trabalho, há os estudos – como interromper nossas tarefas para gastar tempo com Cristo? E quando sobrar tempo... Bom, precisamos é nos divertir, jogar bola, ver novela, beber uma cerveja, afinal, ninguém é de ferro!

Mas, enquanto isso, Jesus Cristo bate à porta. Ele chama, estende a mão. Ele é o Bom Pastor, que não descansa enquanto uma ovelha estiver perdida, que luta para afastar o lobo e manter o rebanho protegido e que não descuida de nenhum cordeiro. Por isso, aqueles que se perdem, Ele procura. Aqueles que se afastam, Ele busca. Aqueles que se escondem, Ele acha. Aqueles que Lhe fecham a porta, ele chama. Nós vamos ouvi-lo?

Todos conhecemos a história de um jovem aventureiro que um dia, com o espírito curioso e ansioso por conhecer o mundo, pediu ao pai a sua parte da herança e foi-se embora. Ele viajou, divertiu-se de forma vergonhosa, esbaldou-se no pecado, deixou para trás sua família e seu Deus para mergulhar nos “prazeres” do mundo. Mas todos sabemos como ele quase terminou. Estava esse jovem a chafurdar no chiqueiro, a alimentar-se com as sobras dos porcos, quando se arrependeu, e, decidindo que seu fim não seria aquele, resolveu voltar – para casa, para seu pai, para Deus.

Será que somos como esse jovem? Estamos em casa pensando em pedir a nossa parte da herança? Ou até já pedimos e estamos a caminho do pecado? Ou, pior, já estamos no chiqueiro? Tomara que não. Mas, se algum dias nós escorregamos, ou se algum dia viermos a escorregar, tomara que tenhamos a humildade – e a coragem – desse jovem de pedir perdão e de retornar.

Encerrou-se anteontem a Quaresma e vivemos agora a Semana Santa. Devemos aproveitar estes dias para refletir sobre o sacrifício de Jesus Cristo por nós e para nos reencontrarmos com Deus, para abrirmos nossos corações para Jesus, para deixá-Lo entrar em nossa casa, para deixá-Lo conviver com nossa família. Partilhar com Ele a nossa vida. Precisamos nos converter.

Converter-nos significa fortalecer a nossa fé, cultivá-la e fazê-la dar frutos. Que frutos são esses? Ora, é a salvação da nossa alma e daqueles que estão perto de nós. É o bem que pudermos fazer ao nosso redor. É a felicidade que pudermos construir na nossa família. E é o trabalho que pudermos fazer em nossa comunidade e em nossa Igreja.

Converter-nos significa também ter a coragem de contrariar o mundo. Homem que é homem, mulher que é mulher, faz o que é certo, não o que os outros fazem. Nos tempos modernos, algumas pessoas, principalmente na TV, no cinema e nas revistas, querem convencer os outros de que amar a Deus, de que seguir uma religião é coisa fora de moda. Eles dizem que nada é pecado, que não existe mais o certo e o errado. Essas pessoas, talvez sem saber, fazem o serviço do demônio. É preciso dizer NÃO a essas mentiras, é preciso voltar ao seio da Igreja, é preciso fugir do pecado e correr para os braços de Jesus.

E não é possível encontrar Jesus longe da Igreja. Aqueles que pensam que podem chegar a Ele sozinhos estão enganados. Somente a Igreja pode nos mostrar o Jesus verdadeiro, o Filho de Deus, sem os disfarces que muitos quiseram colocar nEle – como os disfarces do revolucionário político ou do filósofo relativista.

Somente nos abriremos de verdade para Jesus quando estivermos vivendo verdadeiramente a vida cristã – e isso significa, também, participar das missas, comungar sempre, confessar-se com freqüência. Aquele que fica longe da Igreja, pensando de que poderá encontrar Jesus sozinho, vive em ilusão. Afinal, nenhuma planta vive nem dá frutos se estiver esquecida na escuridão, sem luz e sem água. Os alimentos espirituais que nos fazem crescer na fé só podemos encontrar na Igreja Católica: são o Jesus Eucarístico e a Palavra de Deus.

Quem está afastado de Cristo precisa saber que Ele está só esperando que O deixem se aproximar. Quem está afastado da Igreja, precisa voltar. Quem se perdeu no caminho, precisa esquecer as palavras perigosas daqueles que não têm fé, esquecer as armadilhas do mundo, esquecer os pesos do passado. Fazer como o filho pródigo: fugir do chiqueiro dos pecados e correr para o lugar onde há alegria, amor e felicidade.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Globalização, Religiões e Igreja

Transcrevo abaixo parte de uma texto escrito pelo padre espanhol Francisco Faus em 2004. O texto, escrito por um respeitado sacerdote ligado à Opus Dei e autor de vários livros pela Editora Quadrante, é destinado a palestras para seminaristas. Nele, Francisco Faus, com base em conferência proferida pelo padre Michel Schooyans em 2000, faz um alerta sobre a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) contra as religiões, especialmente o Catolicismo.

Eu já tinha lido as mesmas idéias em artigos de Olavo de Carvalho. Francisco Faus corrobora o que ele diz: a ONU quer implantar uma espécie de religião mundial, fundada sobre a geléia geral que conhecemos como Nova Era.

Para ler o artigo completo, clique aqui. Na verdade, apenas excluí a introdução, que trata do filme Paixão de Cristo, de Mel Gibson (lançado no mesmo ano em que o texto foi escrito e que, como lembramos, foi esculhambado por todos os esquerdistas do mundo).

Abaixo, o trecho que selecionei.

2. O globalismo e a religião

2.1 Até agora, a ONU e os organismos internacionais só se referiam à religião para falar do respeito devido ao princípio de liberdade religiosa, que figura como um dos "direitos fundamentais" na Declaração dos Direitos Humanos de 1948. De uns decênios para cá, este ângulo está mudando substancialmente, e a religião passa a ser vista como uma "preocupação", um "perigo", tanto pela a ONU como pelos organismos a ela ligados.

2.2 É interessante conhecer, neste sentido, a conferência pronunciada no ano 2000 pelo Pe. Michel Schooyans, membro da Pontifícia Academia das Ciências Sociais e Consultor do Pontifício Conselho para a Família, como parte de um Colóquio sobre a Globalização, promovido no Vaticano pelo Pontifício Conselho para a Família, de 27 a 29 de novembro de 2000. Um resumo da conferência foi publicado no n. 469 (Junho 2001), págs. 277 a 286, da revista Pergunte e Responderemos (www.osb.org.br).

2.3 O autor denuncia a ONU pelo seu projeto de globalização, que pretende chegar a instaurar, num futuro próximo, um Super-Estado com seu governo mundial e suas leis. Estas, ao invés de seguir os princípios da lei natural (pressupostos tacitamente na Declaração dos Direitos Humanos promulgada pela ONU em 1948), se baseariam exclusivamente na vontade dos legisladores, no simples e mero consenso, sem nenhum princípio moral básico inviolável, que possa servir de fundamento, orientação ou limite. Além do mais, esse Super-Estado teria direito de ingerência em cada nação do mundo, fazendo de tudo para impor as suas novas "normas éticas", pelo sistema de forçar os Estados – alegando exigências e praxe do direito internacional: mediante sanções, ou exercendo coação com ameaças comerciais, etc.– a assinar acordos, a subscrever declarações de princípios, a aceitar "Cartas de princípios" diversas, que sacramentem os novos "valores".

"A globalização – diz o Pe. Schooyans, expondo essa nova posição da ONU – deve ser reinterpretada à luz de uma nova visão do mundo e do lugar do homem no mundo". Essa nova visão apresenta uma perspectiva totalmente materialista do ser humano, que seria apenas "um avatar da evolução da matéria" [o que significa que fica eliminado um Deus Criador, que tenha querido e criado o homem, que lhe tenha dado um sentido e uma finalidade, uma missão na terra, e uma Lei pela qual se guiar para um destino eterno]; a vida humana não passaria de uma conjunção cega de acasos da matéria, que veio a se tornar consciente sobre si mesma e sobre a sua caducidade, pois seria apenas destinada a "desaparecer na Mãe-Terra, de onde nasceu". [prestem atenção: "Terra"="Gaia": uma palavra-chave da nova divindade da New Age]

2.4 Expressão deste pensamento dos que manipulam os cordéis da ONU e de seus organismos é a Carta da Terra, que a ONU vem preparando há tempo (pode ser achada na Internet), com o intuito de que suplante a antiga Declaração dos Direitos do Homem e jogue no cesto do lixo, como obsoleto, o próprio Decálogo, os Dez Mandamentos: "Formaremos uma sociedade global para cuidarmos da Terra e cuidarmos uns dos outros... Precisamos com urgência de uma visão compartilhada a respeito dos valores de base" .Gravem bem que hoje essas pessoas estão mudando radicalmente o sentido da palavra "valor": nenhum "valor" é considerado permanente, "valor" só significaria o que "a maioria valoriza" (vejam a passagem de algo objetivo – um valor ou princípio permanentemente válido – ao puro subjetivismo do que "agora" a maioria deseja, e por isso lhe dá "valor"): se o novo valor é a maconha, será a maconha; se é o aborto, o aborto; se é o casamento homossexual, o casamento homossexual, etc; e, então, seria um "contra-valor" condenável tudo o que se opusesse à mentalidade dominante em certo momento histórico: por exemplo, seria um crime "moral" intolerável valorizar a família, se os novos "valores" a desprezam e substituem pelas uniões mais bizarras. Querem criar, pois, chegando a um acordo de interesses, novos "valores de base", que – como dizem – ofereçam um fundamento ético (?!) à comunidade mundial emergente...".

2.5 Comenta ainda Schooyans que, para alcançar essa visão holística [totalitária] do globalismo, alguns "obstáculos" devem ser aplainados. "As religiões em geral, em primeiro lugar a religião católica, figuram entre os obstáculos que se devem neutralizar". Com este objetivo, em setembro de 2000 foi organizada a Cúpula de líderes espirituais e religiosos, a fim de lançar a "Iniciativa Unida das Religiões", fortemente influenciada pela New Age, e que visa, em último termo, a criação de uma nova religião mundial única, o que implicaria imediatamente a proibição de que qualquer outra religião fosse missionária, fizesse proselitismo. (Poucos sabem que foi por ocasião dessa reunião que a Congregação para a Doutrina da Fé publicou a Instrução Dominus Iesus: e é significativo que os mesmos "teólogos" que aderiram há anos de corpo e alma ao marxismo, quando o comunismo estava na crista histórica da onda, agora estejam aderindo à New Age e a toda essa mentalidade de pseudoecumenismo nebuloso e antidogmático, crivando de críticas ásperas o Papa, o Card. Ratzinger, etc., por ter publicado esse documento).

2.6. Ainda em 2000, Kofi Annan propugnava um Pacto Mundial ("Global Compact"), que angariaria o apoio moral e financeiro de entidades privadas (já o recebeu da Shell, CNN, Bill Gates, etc.). Tudo isso se encaminha para desativar e substituir a Declaração de 1948. Em 1948 desejava-se que a ordem mundial se fundasse sobre verdades, sobre princípios indiscutíveis, reconhecidos por todos e promovidos pelas legislações dos estados (na realidade, eram os princípios básicos imutáveis da lei natural); agora – como já víamos – só se fala em valores, absolutamente relativos, e dominados pelo egoísmo de um mundo agnóstico, relativista e hedonista.

2.7 Segundo essa nova visão da ONU, "o homem – comenta Schooyans – , por ser pura matéria, é definitivamente incapaz de dizer seja lá o que for de verdadeiro sobre ele mesmo ou sobre o sentido da vida. Fica, assim, reduzido ao agnosticismo de princípios, ao ceticismo e ao relativismo moral. Os porquês não tem sentido; só importam os como". O que "se pode fazer" em matéria ética ("posso", "não posso"), sempre significou o que era lícito ou não perante a lei de Deus, perante os princípios morais intocáveis; agora, pelo contrário, quer dizer "o que se pode fazer tecnicamente" (p.e., clonar, manipular embriões humanos para obter soluções para terceiros, abortar filhos que exigiriam sacrifício dos pais, etc.), ou seja, que se "podem fazer" as maiores aberrações, porque "já há técnica" para isso, bastando para cohonestar essas aberrações que se consiga o consenso dos que manipulam como proprietários – pelo poder da mídia, da política e, sobretuso, do dinheiro – os organismos internacionais e a opinião pública.
Dentro dessa visão, é natural que se propugne que, de agora em diante, os direitos do homem sejam apenas o resultado de procedimentos consensuais. Não sendo capazes de verdades, devemos só entrar em acordos e decidir. Será justo o que for aprovado por maioria. Esses procedimentos consensuais serão, logicamente, mutáveis, poderão ser mudados e redefinidos ilimitadamente. Daqui em diante, qualquer coisa poderá ser apresentada [e imposta, até coercitivamente, como exigência do direito internacional] como "novo direito" do homem: direito a uniões sexuais diversas, ao repúdio, aos lares monoparentais, à eutanásia, ao infanticídio, à eliminação dos deficientes físicos, às manipulações genéticas com fetos ou inválidos, etc. Estamos presenciando a tentativa de fazer triunfar a "vontade de poder" de Nietzsche; e parece que ninguém repara que essa multidão "neo-liberal" e "iluminista" [que faz "paradas" enormes] tem como "precursor" – eu diria, já, como "padroeiro", nada menos que Adolf Hitler.

2.8 Nas assembléias internacionais, os funcionários da ONU tudo fazem para chegar ao "consenso" que já foi definido previamente por eles nos documentos preparatórios. Uma vez conseguido esse consenso (mesmo que seja, como já aconteceu mais de uma vez, "modificando" depois nos gabinetes as conclusões aprovadas), ele é invocado para fazer com que se adotem convenções internacionais, que deverão adquirir força de lei nos Estados que as ratifiquem (e se não o fazem, serão mal vistos na comunidade internacional, além de sofrer as sanções de que falávamos). Todos, indivíduos ou Estados, deverão obedecer à norma fundamental surgida da vontade daqueles que definem o direito internacional. Esse direito internacional puramente positivo, livre de toda a referência à Declaração de 1948, será (já está sendo) o instrumento utilizado pela ONU para impor ao mundo a visão da globalização que lhe permita colocar-se como Super-Estado". É patente que por esse caminho já está andando a União Européia. Assim, a própria ONU "entronizaria o pensamento único, holístico" (uma autêntica ditadura ideológica, que eliminaria o pluralismo e a tão badalada tolerância dos neo-liberais..., e qualificaria de "intolerantes inaceitáveis", que devem ser banidos da vida publica – como já está acontecendo – os que, simplesmente, tivessem convicções diferentes dos "valores" deles). Este é o resumo, glosado, do artigo de Schooyans.

Depois disso, por favor, caros seminaristas, não leiam superficialmente as notícias, artigos, editoriais e ensaios de jornais e revistas, e as opiniões de filósofos, sociólogos ou teólogos "holísticos" sobre problemas éticos de candente atualidade. A partir de agora, prestem mais atenção ao noticiário internacional, às referências a congressos vinculados à ONU, a algumas declarações ou documentos muito badalados de organismos internacionais, etc. Vocês vão começar a "ver", surpreendidos, muitas coisas que antes não percebiam, e vão calibrar a carga destrutiva da fé e da moral cristã que idéias ou programas aparentemente inocentes e até poéticos (temas ecológicos, p.e.) carregam muitas vezes no seu bojo.


3. A coragem e a fidelidade do Magistério autêntico da Igreja


3.1 Lembremo-nos de que essa problemática moral – com idéias relativistas análogas às que acabamos de considerar – já existia nos tempos da crise do pós-Concílio, e que explodiu após a Humanae Vitae, com o bombardeio de críticas e revisões de teólogos inconformados, e continua a ser pensamento dominante em muitos ambientes eclesiásticos (unido ao falso ecumenismo, às tentativas de acabar com o verdadeiro sentido das "Missões", à revolução "permanente" da teologia moral, à visão relativista e historicista do mundo e da Igreja próprias da teologia da libertação, às novas escolas de teologia moral, como o conseqüencialismo, o proporcionalismo, a doutrina da opção fundamental, etc.).

3.2 À vista dessa realidade, ganha especial relevo o esforço ingente, lúcido e corajoso, do Santo Padre e dos seus colaboradores mais fiéis, por defender, aprofundar, insistir, expor com a máxima clareza as verdades da fé e da moral cristã, ainda que suscitem críticas, ódios e hostilidades nos ambientes laicistas e em muitos ambientes eclesiásticos.

3.3 Mas o Sucessor de Pedro não pode fechar os olhos para uma realidade: o relativismo, o subjetivismo e, em boa parte o hedonismo, passaram a dominar amplos setores da teologia moral católica (que de católica já só prece conservar o nome), e faz anos que estão causando enorme desorientação e dano moral e espiritual no clero – mal formado – e nos fiéis.

3.4 Não é possível, nesta palestra – que já está longa demais – deter-nos no estudo detalhado desta problemática, que é abordada em profundidade na Parte III do Catecismo da Igreja Católica e, especialmente, nas Encíclicas Veritatis Splendor e Evangelium Vitae. Baste, por ora, frisar a valente insistência do Magistério pontifício no tema dos atos "intrinsecamente maus", que nenhuma finalidade boa, nenhum "teleologismo", nenhum cálculo de valores positivos e negativos, feito nos parâmetros do "proporcionalismo" e do "conseqüencialismo" ou da "opção fundamental" podem justificar e tornar bons ou moralmente inócuos.
"Os preceitos morais negativos (da Lei de Deus) – lemos na Encíclica Evangelium Vitae, n. 75 –, isto é, aqueles que declaram moralmente inaceitável a escolha de determinada ação, têm um valor absoluto para a liberdade humana: valem sempre e em todas as circunstâncias sem exceção. Indicam que a escolha de determinado comportamento é radicalmente incompatível com o amor de Deus e com a dignidade da pessoa humana, criada à sua imagem [...]". “Já neste sentido, os preceitos morais negativos têm uma função positiva importantíssima: o «não» que exigem incondicionalmente aponta o limite intransponível abaixo do qual o homem livre não pode descer, e simultaneamente indica o mínimo que ele deve respeitar e do qual deve partir para pronunciar inumeráveis «sins», capazes de cobrir progressivamente todo o horizonte do bem, em cada um dos seus âmbitos”.

3.5 Há atos que a tradição da Igreja chama "intrinsecamente maus", que,como diz também a Veritatis Splendor (n. 80), "são maus sempre e por si mesmos, ou seja, pelo próprio objeto, independentemente das posteriores intenções de quem age e das circunstâncias". A Encíclica cita, a seguir, o Concílio Vaticano II que, na Gaudium et spes (n. 27) exemplifica, e fala que são atos desse tipo "tudo quanto se opõe à vida , como seja toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário; tudo o que viola a integridade da pessoa humana... ; as condições degradantes de trabalho... Todas estas coisas ofendem gravemente o Criador".

3.6 A moral proporcionalista, conseqüencialista, de atitudes, de opção fundamental, etc, admite que muitos desses atos possam ser lícitos num contexto determinado, em que – no balanço de "bens" – prevaleçam valores julgados superiores (quase sempre com critérios racionais apenas técnicos, utilitarista e humano, não sobrenaturais). Isto, por mais sutis e complicados que sejam esses autores ao defender-se das críticas, é a porta escancarada ao relativismo total, e não estranha que leve a posições análogas, se não iguais, às posições dos organismos materialistas da ONU de que acima falávamos. Sem pretendê-lo (é preciso pensar assim), esses teólogos e professores de seminário se alinham nas mesmas fileiras dos que se propõem acabar com a Igreja Católica.

3.7 Por isso, impõe-se, como um dever grave, aos seminaristas e aos padres (e, logicamente, aos bispos, aos teólogos, aos reitores e professores de seminários, etc.) procurar os fundamentos e as respostas às questões morais contemporâneas nas fontes da Verdade, e concretamente:

3.8 A) na Sagrada Escritura, especialmente no Novo Testamento, tendo presentes as palavras claríssimas de Cristo: "Não penseis que vim revogar a lei e os profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento" (Mt 5, 17). Não é por acaso que, tanto o Catecismo da Igreja, como a Veritatis Splendor, para focalizar a Moral com ótica plenamente cristã, tomem como ponto de partida o diálogo de Cristo com o jovem rico: – "Que devo fazer de bom para alcançar a vida eterna?". E a resposta de Cristo: "...se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos". – "Quais?" . A resposta imediata de Jesus é uma remissão aos Dez Mandamentos, válidos em toda a época e em todo o lugar – "Não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe; e ainda, amarás a teu próximo como a ti mesmo" (Mt 19, 16 ss).

Esse ensinamento, taxativo e básico – a primeira exigência moral que Cristo indica (pois o cume é a caridade) – , prova que outras palavras de Cristo e dos Apóstolos sobre pecados diretamente relacionados com os Dez Mandamentos não são circunstanciais, nem "pré-morais", nem relativas a uma determinada cultura, a um ambiente histórico ou a uma mentalidade de outras eras, mas verdades permanentes, que exprimem a Vontade de Deus, que é o bem e a salvação do homem.

Exemplos: "O que sai do homem, é isso que o torna impuro. Com efeito, é de dentro, do coração dos homens, que saem as intenções malignas: imoralidade sexual, roubos, homicídios, adultérios, ambições desmedidas, perversidades, fraude, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, insensatez. Todas essas coisas saem de dentro do homem e o tornam impuro" (Mc 7, 21-23).

"Não vos iludais: nem os impudicos [excelentes exegetas incluem entre esses pecados a masturbação], nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os depravados, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os injuriosos possuirão o Reino de Deus" (1 Cor 6, 9-10).

Ver também, Rom 1, 24-32, talvez as palavras mais enérgicas e fortes do Novo Testamento sobre a Moral.

É natural que, de acordo com a Revelação divina, a Igreja (fiel ao Evangelho, e imunizada pelo Espírito Santo contra a falsidade das ideologias), diga, no n. 1968 do Catecismo da Igreja Católica: "A Lei evangélica dá pleno cumprimento aos mandamentos da Lei. O Sermão do Senhor [Sermão da montanha], longe de abolir ou desvalorizar as prescrições morais da Lei Antiga, delas haure virtualidades ocultas, faz surgir novas exigências e revela sua verdade divina e humana".

3.10 Em suma, depois dessas considerações, parece-me que vale a pena que gravemos na nossa alma a imensa responsabilidade que os seminaristas (e os sacerdotes, na sua formação permanente) têm – temos – de aprofundar incansavelmente nos ensinamentos do Magistério autêntico e universal da Igreja. Num mundo confuso, em que parece dominar cada vez mais o "Pai da mentira" (releia-se Jo 8, 44 ss.), numa época histórica em que são tão extensos os âmbitos eclesiais confusos, desgarrados da comunhão doutrinal com a Cabeça visível da Igreja e difusores de erros; num mundo, enfim, materializado e doente de hedonismo e consumismo, em que é tão fácil "dobrar o joelho diante de Baal" (da opinião pública, das ideologias e "valores" da moda, dos erros "prestigiados" pela mídia), os que têm o privilégio divino de serem chamados para servir como "instrumentos vivos" a Cristo e à Igreja, sendo "luz do mundo" e espelho do Evangelho, têm que se esforçar (heroicamente, se for preciso) para manter um estudo contínuo, cada vez mais profundo, da Verdade, bebendo-a abundantemente nas suas fontes limpas, garantidas pela chancela do Magistério autêntico e universal, e, por isso, pelo "selo de garantia" do Espírito Santo. Convençamo-nos de que disso, sem exagero, depende em boa parte o bem do mundo, o bem futuro da Igreja e da humanidade.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Jerusalém! Jerusalém!


Certa vez, Jesus, ao olhar a cidade de Jerusalém à distância, chora por ela e lamenta que esta não queira acolher a mensagem de paz que tantas vezes o Senhor lhe enviara. Deus sempre quis cuidar de Jerusalém, mas ela nunca compreendia e recebia o Senhor, pois fechara seus olhos, tapara seus ouvidos e endurecera seu coração à palavra de Deus. Assim, matava os profetas e apedrejava os santos que o Senhor enviava para abrir seus olhos, destapar seus ouvidos e amolecer o seu coração. E deste modo agiu até ao ponto de matar o próprio filho de Deus. Por isso tudo, Jesus chorou sobre Jerusalém e, mais ainda, chorou porque a amava e desejava que ela o escutasse e acolhesse.E hoje, não acontece a mesma coisa? Só que, em lugar de Jerusalém, não é o mundo inteiro que age da mesma forma? Não é o mundo inteiro que fechou os olhos, tapou os ouvidos e endureceu o coração à palavra de Deus?

Todos os dias, o mundo mata profetas e santos que o Senhor Deus envia para serem a sua voz e as suas mãos no meio da humanidade. Todos os dias pessoas estão morrendo por falta de cuidados físicos e espirituais; crianças inocentes e indefesas estão morrendo na mão de assassinos em clínicas abortistas com o aval de médicos, enfermeiros e pais desinformados e, o mais grave, com o possível incentivo do governo se aprovadas as leis abortistas que tramitam no Congresso Nacional. Todos os dias pessoas estão sendo mortas pela língua ferina e impiedosa de pessoas de coração duro. Todos os dias pessoas estão sendo mortas pelas atitudes omissas ou manipuladoras de quem pensa somente em si mesmo e busca apenas seu próprio bem-estar.

No entanto, sejamos realistas: da Jerusalém que matava os profetas, restaram apenas ruínas de um muro; do Império Romano que lançava cristãos às feras, não se fala nem mais a língua latina; dos nazistas que queimaram judeus em fornos restou apenas a vergonha por tais atos... e por quê? Porque Deus faz justiça aos seus santos e profetas; porque Deus não permite que o mal prevaleça sobre a sua palavra de paz; porque a morte de pessoas na miséria e no abandono, o assassinato de crianças ainda no útero e o mal causado pelo egoísmo bradam a Deus por justiça e Deus age. Deus não deixa desamparados aqueles que a Ele se entregam e constantemente ouve as súplicas de quem sofre no corpo e na alma.

Deus é bom e Deus é justo. Deus age e amolece os corações mais duros. Se um coração se recusar a acolher a palavra de Deus, o Senhor chora de dor por causa desse coração, como chorou sobre Jerusalém, mas não o força a aceitar a sua palavra, assim como não forçou Jerusalém... e dela restaram somente ruínas de um muro.

Nilson Antônio da Silva

O mundo criado para evoluir

Artigo escrito pelo cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, em 16 de fevereiro no jornal arquidiocesano O São Paulo e reproduzido no site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB):

O mundo criado para evoluir

Nas semanas passadas, enquanto se recordavam os 200 anos do nascimento do cientista inglês Charles Darwin, escreveu-se muito sobre a teoria da evolução por ele elaborada para explicar a origem das espécies. O aniversário fez também aparecer na opinião pública uma polêmica, sobretudo lá fora do Brasil, entre criacionismo e evolucionismo, vistas muitas vezes como opostas e excludentes.

Rapidamente, alguns usaram a teoria da evolução para negar a existência de Deus, ou para taxar de “lendas obscurantistas” as afirmações religiosas sobre Deus Criador; a evolução foi passada como a idéia luminosa com a qual tudo se explica... Outros, para defenderem um criacionismo absoluto, tentaram de todos os modos forçar os textos bíblicos a dizerem aquilo que eles não quiseram dizer. A Sagrada Escritura não é um livro de ciências, nem pretende explicar como é feito o mundo. Talvez ficou a impressão de que Darwin foi o grande mestre que deu o golpe final na fé em Deus e que a ciência, finalmente, triunfou sobre a religião e a razão, sobre a fé. Darwin nunca afirmou isso.

Será mesmo que as duas posições precisam excluir uma à outra? A resposta é um claro NÃO, não precisam excluir uma à outra. A criação não exclui a evolução, nem o contrário. A evolução é um fato evidente e não pode ser posta em dúvida; porém, se ela explica como as coisas se diferenciam e mudam, por diversos fatores, ela, contudo, não explica a origem absoluta dessas coisas. É um fato que somente evolui e se transforma aquilo que já existe. Donde, ou de quem cada ser recebeu a existência e a ordem interna para ser aquilo que é, e não outra coisa? Do nada? Do nada, nada surge, a não ser que algum agente “crie”, isto é, dê origem, tire do nada e faça existir algo. O acaso poderia ser este fator determinante? Como seria inteligente este acaso! A teoria do acaso é absurda. É melhor crer em Deus criador, isso não é absurdo.

A evolução explica “como” as coisas chegaram a ser aquilo que são, mas não explica o fato mesmo da existência das coisas, nem sua ordem interna e seu significado. Assim também a hipótese da “explosão inicial” (Big bang), para explicar a origem do universo, poderia ser apenas uma explicação parcial: é preciso explicar como passou a existir anteriormente um “algo”, que pudesse explodir; e explicar também a existência de uma lógica maravilhosa na origem do universo, que foi capaz de organizá-lo e de torná-lo a maravilha que ele é, em vez de ser o caos infinito e permanente. Decididamente, a evolução também não explica a própria existência do universo. Mas ela, como a ciência no seu todo, procura explicar “como” as coisas existem, são feitas, funcionam e interagem. E nisso não precisam estar contra a fé em Deus; nem precisa a fé em Deus negar a ciência. O verdadeiro cientista também pode ser profundamente religioso.

Neste debate, ressurge uma questão antiga: a relação entre fé e razão, entre ciência e religião. Trata-se de duas formas diversas de aproximação da realidade: a razão requer argumentos controlados por ela e convincentes para ela mesma; daí decorre o conhecimento científico moderno, que submete tudo ao seu método próprio e verifica a possibilidade de comprovar, com instrumentos que lhe são próprios, as afirmações sobre as realidades deste mundo. Aquilo que o método científico não verifica e comprova, também não pode ser afirmado pela ciência; mas seria falso concluir logo: portanto não existe. A realidade existente é maior que o método e nem tudo cabe dentro dos limites que o método científico impõe a si mesmo. De sua parte, o conhecimento pela fé faz afirmações baseando-se na revelação divina e vai além daquilo que a ciência pode controlar. A fé não é contra a ciência, mas vai além da ciência.

Em relação ao debate sobre a relação entre a fé e a razão, o papa João Paulo II escreveu uma encíclica importantíssima, chamada Fides et ratio (A fé e a razão), que seria bom retomar e ler neste momento. E o papa Bento XVI fala com frequência sobre este tema, defendendo a capacidade da razão humana para conhecer a verdade; certas tendências do pensamento moderno negam tanto o valor da fé quanto a capacidade racional do homem, caindo num ceticismo desorientador e angustiante. É importante que as duas capacidades humanas de conhecimento sejam devidamente valorizadas e não sejam contrapostas.

Não é preciso abandonar a fé em Deus criador para aceitar o fato da evolução, que faz parte da sabedoria criadora de Deus; é um dinamismo interno nas coisas, que faz com que o mundo não seja estático e morto, mas cheio de vitalidade, esperança e futuro.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Bem-Te-Vi


Nessas manhãs em que o tempo já começa a ficar mais frio, o verão vai se distanciando e as últimas chuvas caem esparsas, o sol desponta e com ele os passarinhos começam seu dia. Aqui, ainda podemos ouvir, entre os barulhos urbanos, a algazarra de pássaros na madrugada. São tantos e tão festivos que, apurando nossos ouvidos, podemos sentir a profunda perfeição da criação de Deus. Podemos perceber a harmonia com que o Senhor dispôs todas as criaturas para que, vivendo e povoando o mundo, refletissem a glória de seu poder. A grande maravilha da obra de Deus é isto: a criação inteira glorifica o nome de seu Criador simplesmente existindo da forma como o Senhor a fez. Um pássaro não tem entendimento para conhecer a Deus, mas sua vida, por sua simples e pura existência, é um contínuo ato de gratidão ao Senhor.

Costumo observar um bem-te-vi que, quase todas as manhãs, pousa sobre uma antena de televisão e canta por longos minutos. Vai cantando e, em certo momento, outro mais longe também canta. E outro mais além... Desse modo, em alguns minutos, é possível ouvir um verdadeiro coro de bem-te-vis cantando. Simplesmente cantam. E cantam maravilhosamente belo! Cantam como nenhuma tecnologia humana pode fazer igual nem ninguém pode copiar.

Jesus disse que ninguém, por mais que se preocupe, pode acrescentar um único segundo à sua vida por vontade própria. Tudo é dado por Deus e por Deus é tirado. Assim, é mais proveitoso e mais saudável que as pessoas deixem tantas preocupações inúteis que apenas dificultam suas vidas, mas que em nada é capaz de melhorá-las e muito menos aumentá-las, e passem a viver em plenitude como o Senhor as criou. Ao agir deste modo, estão fazendo como o bem-te-vi que simplesmente pousa numa antena de televisão quase todas as manhãs para cantar, fazendo o melhor que o Senhor lhe concedeu fazer.

Deus deu a cada pessoa muitos dons, os quais devem ser assumidos e vividos em plenitude. Cabe ao que sabe ensinar ao que não sabe, ao paciente escutar o que é estourado, ao compreensivo ouvir o desesperado, ao que tem ajudar o que nada possui... e assim por diante.

Deus deu ao bem-te-vi a capacidade de cantar bem. E ele canta! A cada pessoa sobre a face da terra, o Senhor deu uma infinidade de dons. E cada pessoa deve usar os dons recebidos de Deus e, com isso, dar glórias ao Criador.

Nilson Antônio da Silva

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O que torna uma ação boa ou má?

Texto muito interessante do padre jesuíta Kenneth Baker publicado no site da Editora Quadrante.

O que torna uma ação boa ou má?

Jesus disse: Se me amais, guardareis os meus mandamentos (Jo 14, 15). É fácil estabelecer o princípio geral de que é preciso fazer o bem e evitar o mal; mas não é fácil saber – em cada circunstância, aqui, agora – o que é bom e o que é mau.

Há princípios básicos de moral cristã com os quais todos os católicos devem estar familiarizados. Dentre eles, um dos primeiríssimos é este: para que qualquer ação possa ser qualificada moralmente, tem de ser consciente, humana. Um ato humano procede do conhecimento e do livre arbítrio; se faltarem a liberdade ou o conhecimento devidos, o ato não é completamente humano e, portanto, não é completamente moral. Assim, a digestão, o crescimento, o movimento do sangue nas veias, etc., uma vez que não estão sob o controle da nossa vontade, não podem de forma alguma ser chamados de atos morais. São atos da pessoa humana, mas não podem ser considerados “atos humanos”.

Um ato inteiramente humano, ou seja, um ato que procede do conhecimento e do livre arbítrio, pode ser moralmente bom ou moralmente mau. Como podemos fazer a distinção? Baseados em uma experiência de séculos, os teólogos chegaram à conclusão de que há três determinantes para a qualidade moral das nossas ações: o objeto, o fim ou a intenção, e as circunstâncias.

O objeto é aquilo em a ação consiste essencialmente, por exemplo: mentir, rezar o terço, roubar, ajudar um cego a atravessar a rua. Para que um ato seja moralmente bom, o seu objeto – aquilo que ele é –, deve estar conforme com a lei de Deus.

O segundo determinante da qualidade moral de qualquer ato humano é a intenção, fim ou propósito. Todo o ato humano, não importando quão trivial seja, é feito com algum propósito. O motorista domingueiro que atrapalha o trânsito e parece estar dirigindo sem qualquer destino tem um propósito: ele pode não querer chegar a lugar nenhum, mas busca a alegria de contemplar a paisagem do volante do seu carro. Para que um ato humano seja bom, o agente, aquele que o pratica, tem de ter boa intenção – tem de querer fazer algo que seja bom. Algumas ações, como blasfemar e roubar, são sempre erradas e nenhuma finalidade ulterior, não importando quão nobre seja, pode torná-las boas. Outras ações podem ser boas ou más dependendo de para que as praticamos. Beber não é pecado; já beber para ficar bêbado é. A moralidade de muitas coisas que fazemos é determinada pela intenção: andar, conversar, ler, etc. Muitas atividades consideradas moralmente indiferentes em si recebem a sua qualidade moral da intenção que está por trás delas.

Para que as nossas ações sejam boas, as nossas intenções devem ser boas. É bom ajudar os pobres, mas se eu os ajudo por vaidade ou despeito, então não pratico uma boa ação, mesmo que, em última análise, os pobres sejam beneficiados. Por outro lado, não podemos cair no erro contemporâneo segundo o qual toda a moralidade de uma ação é determinada pela intenção. A mais nobre das intenções não pode tornar bom um ato intrinsecamente mau. Assim, as explosões e as mortes causadas por terroristas com o objetivo de mudar alguma forma de governo são assassinatos, independentemente da intenção com que se praticam. Roubar dos ricos para ajudar os pobres, como um Robin Hood, continua a ser roubo. A ideia de que “os fins justificam os meios” é muito comum hoje em dia. Pessoas mal informadas que se preocupam com a superpopulação do planeta ou com a educação apropriada das crianças consideram bom o recurso ao aborto para diminuir o número de nascimentos e evitar crianças não desejadas; mas uma boa intenção, não importa qual, não transforma algo essencialmente mau como o aborto em algo moralmente bom.

As circunstâncias do ato, por fim, são o terceiro determinante da moralidade de qualquer ação. Circunstâncias são, por exemplo, as pessoas envolvidas, a hora, o local, a ocasião. Embora distintas do objeto, as circunstâncias podem modificar e mesmo alterar completamente a moralidade de um ato. As circunstâncias podem, por exemplo:

– tornar má uma ação que, de outra forma, seria boa, como no caso de um soldado que deliberadamente durma durante o serviço;

– aumentar ou diminuir a culpa de quem pratica a ação. Como quando uma menininha mente para a sua mãe (culpa aumenta), ou alguém conta uma mentira inventada na hora para se livrar de uma situação embaraçosa (culpa diminui).

Uma vez que todas as ações ocorrem em um momento e um lugar determinados, as circunstâncias devem ser sempre levadas em conta na hora avaliar a qualidade moral de qualquer ato humano.

Não devemos ficar alarmados com o crescente uso do princípio de que “os fins justificam os meios”. Um católico bem formado sabe que a moralidade de cada ato humano é determinada pelos três elementos vistos acima – o objeto, a intenção e as circunstâncias. Basta que apenas um deles seja mau para que possamos considerar uma ação má e saibamos que devemos evitá-la.
"O que pode temer o filho nos braços do Pai?"

São Pio de Pietrelcina