sábado, 5 de junho de 2010

Você acredita em milagres?

O Grande Milagre de Calanda
Muitos católicos têm dificuldade de acreditar em milagres. Falo aqui de milagres em seu sentido mais concreto: o de fatos extraordinários que desafiam as leis da física, da biologia, da química. Se muitos católicos têm dificuldade de acreditar, os não católicos, então... Há uma bravata corriqueira entre os mais céticos. Dizem eles que estão fartos de cegos que voltam a ver e paralíticos que voltam a andar - curas que, na opinião deles, sempre são forjadas. Para acreditar, o que eles querem mesmo é ver um amputado recuperar o membro perdido. "Mostrem-me alguém que recuperou a perna cortada, a mão decepada, e aí acreditarei".

Tal desafio é feito na crença de que jamais poderá ser aceito. Não se sabe de nenhum caso como esse, certo? Errado.

Estou lendo o livro Hipóteses sobre Maria, do jornalista italiano Vittorio Messori. No seu livro ele menciona alguns casos sobre os quais eu nunca tinha ouvido falar. Procurei informações na internet e há material em inglês, mas encontrei muito pouco em português.

Miguel Pelicer e a Virgem do Pilar
O caso mais extraordinário que ele menciona é conhecido como o Grande Milagre de Calanda, ocorrido na Espanha do século XVII. Em 1637, Miguel Juan Pellicer, jovem em torno dos 20 anos, teve a perna direita amputada após um acidente (a perna foi esmagada pelas rodas da corroça que ele mesmo conduzia) na cidade onde vivia, Calanda. A amputação ocorreu em Saragoça, onde ele foi se tratar e onde fica a Basílica de Nossa Senhora do Pilar, padroeira da Espanha, pela qual Pellicer tinha grande devoção. Depois de amputada, a perna foi enterrada no cemitério do hospital.

Por dois anos, Miguel Pellicer continuou morando em Saragoça, onde vivia de caridade. Todos os dias dirigia-se à basílica e utiliza o azeite das lâmpadas para untar o ferimento - atitude pela qual foi várias vezes repreendido pelos médicos. Em 1640, ele retornou para Calanda, voltando a viver com sua família. Na noite de 29 de março, foi dormir. Mais tarde, sua mãe foi vê-lo no quarto e teve um grande susto: por sob as cobertas, podia perceber dois pés. Removendo os cobertores, viu que a perna direita de Miguel Pellicer estava no lugar, inteira, apenas com marcas de cicatrizes onde ocorrera a amputação.

O caso correu a cidade imeditamante e todos procuraram testemunhar o acontecido. Tempos depois a notícia chegou ao hospital de Saragoça, onde descobriu-se que a perna enterrada mais de dois anos antes havia desaparecido.

Os testemunhos dos médicos de que a perna fora cortada e dos habitantes de Calanda de que ela fora recuperada não deixaram dúvidas sobre o fato. Foram abertas investigações sobre o acontecido. Miguel Pellicer chegou a ser chamado à corte do rei Felipe IV, que quis conhecê-lo (consta que no palácio real de Madri há uma tapeçaria representando o rei beijando a perna de Miguel). Em 1641, a autoridade eclesiástica de Saragoça emitiu um documento confirmando o caráter miraculoso da cura.

Messori chegou a escrever um livro só sobre esse caso (Il Miracolo). Em Hipóteses sobre Maria, ele menciona ainda o episódio envolvendo o jardineiro belga Peter Van Rudder. Em 1867, ele, que trabalhava para um nobre na cidade de Jabbecke, caiu de uma árvore e teve a perna esquerda esmagada pouco abaixo do joelho. Ele teve fratura exposta e perdeu aproximadamente 3cm da tíbia e do perônio. Ele se consultou com vários médicos, entre eles o da Casa Real - visto que era funcionário de um visconde - que recomendaram a amputação. Durante oito anos ele viveu com a ferida, procurando tratamento e recusando-se a cortar a perna. Nessa época, já eram conhecidas na Bélgica as famosas curas de Lourdes, onde Nossa Senhora havia aparecido a Bernadeth em 1858.

Em 1875, Peter van Rudder decidiu ir à cidade de Oostakker, onde havia um pequeno santuário dedicado a Nossa Senhora de Lourdes. Depois de uma penosa viagem, ele dirigiu-se à réplica da gruta de Lourdes que havia na cidade, para implorar por sua cura. Lá chegando, deixou cair as muletas e se ajoelhou diante da imagem da Imaculada. Foi sua mulher, que o acompanhava, quem percebeu que sua perna estava subitamente curada. Sua perna quebrada por oito anos havia perdido 3 cm de osso - tanto na tíbia como no perônio. Estava agora completamente reconstituída.

A cura foi atestada por vários médicos franceses e belgas. O seu caso foi a 24ª cura milagrosa reconhecida oficialmente pela Igreja como sendo obtida graças à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes. Os cidadãos de Jabbecke redigiram, assinaram e lavraram um documento testemunhando que Peter van Rudder havia quebrado a perna, com perda de massa óssea e que após sua ida a Oostakker estava completamente curado.

Esses casos parecem extraordinários demais para serem verdadeiros? Imaginação popular? Há testemunhos da época, arquivos médicos assegurando a existência do mal e depois a sua cura. Aqui a a razão pode ser satisfeita, mas nossa sensibilidade moderna, que só acredita vendo e desconfia de todo testemunho, de toda evidência, precisa ser socorrida pela fé - a mesma fé que restituiu a perna direita ao jovem Miguel e curou a perna esquerda de Peter.

Um comentário:

HMD disse...

Fantástico! Acho que se alguns ateus souberem disso, não podem mais tentar aquele argumento: «Porque Deus não cura amputados?».

Bom post, bom blog. Já me fiz seguidor.

Salve Maria!

"O que pode temer o filho nos braços do Pai?"

São Pio de Pietrelcina