sábado, 5 de junho de 2010

Você acredita em milagres?

O Grande Milagre de Calanda
Muitos católicos têm dificuldade de acreditar em milagres. Falo aqui de milagres em seu sentido mais concreto: o de fatos extraordinários que desafiam as leis da física, da biologia, da química. Se muitos católicos têm dificuldade de acreditar, os não católicos, então... Há uma bravata corriqueira entre os mais céticos. Dizem eles que estão fartos de cegos que voltam a ver e paralíticos que voltam a andar - curas que, na opinião deles, sempre são forjadas. Para acreditar, o que eles querem mesmo é ver um amputado recuperar o membro perdido. "Mostrem-me alguém que recuperou a perna cortada, a mão decepada, e aí acreditarei".

Tal desafio é feito na crença de que jamais poderá ser aceito. Não se sabe de nenhum caso como esse, certo? Errado.

Estou lendo o livro Hipóteses sobre Maria, do jornalista italiano Vittorio Messori. No seu livro ele menciona alguns casos sobre os quais eu nunca tinha ouvido falar. Procurei informações na internet e há material em inglês, mas encontrei muito pouco em português.

Miguel Pelicer e a Virgem do Pilar
O caso mais extraordinário que ele menciona é conhecido como o Grande Milagre de Calanda, ocorrido na Espanha do século XVII. Em 1637, Miguel Juan Pellicer, jovem em torno dos 20 anos, teve a perna direita amputada após um acidente (a perna foi esmagada pelas rodas da corroça que ele mesmo conduzia) na cidade onde vivia, Calanda. A amputação ocorreu em Saragoça, onde ele foi se tratar e onde fica a Basílica de Nossa Senhora do Pilar, padroeira da Espanha, pela qual Pellicer tinha grande devoção. Depois de amputada, a perna foi enterrada no cemitério do hospital.

Por dois anos, Miguel Pellicer continuou morando em Saragoça, onde vivia de caridade. Todos os dias dirigia-se à basílica e utiliza o azeite das lâmpadas para untar o ferimento - atitude pela qual foi várias vezes repreendido pelos médicos. Em 1640, ele retornou para Calanda, voltando a viver com sua família. Na noite de 29 de março, foi dormir. Mais tarde, sua mãe foi vê-lo no quarto e teve um grande susto: por sob as cobertas, podia perceber dois pés. Removendo os cobertores, viu que a perna direita de Miguel Pellicer estava no lugar, inteira, apenas com marcas de cicatrizes onde ocorrera a amputação.

O caso correu a cidade imeditamante e todos procuraram testemunhar o acontecido. Tempos depois a notícia chegou ao hospital de Saragoça, onde descobriu-se que a perna enterrada mais de dois anos antes havia desaparecido.

Os testemunhos dos médicos de que a perna fora cortada e dos habitantes de Calanda de que ela fora recuperada não deixaram dúvidas sobre o fato. Foram abertas investigações sobre o acontecido. Miguel Pellicer chegou a ser chamado à corte do rei Felipe IV, que quis conhecê-lo (consta que no palácio real de Madri há uma tapeçaria representando o rei beijando a perna de Miguel). Em 1641, a autoridade eclesiástica de Saragoça emitiu um documento confirmando o caráter miraculoso da cura.

Messori chegou a escrever um livro só sobre esse caso (Il Miracolo). Em Hipóteses sobre Maria, ele menciona ainda o episódio envolvendo o jardineiro belga Peter Van Rudder. Em 1867, ele, que trabalhava para um nobre na cidade de Jabbecke, caiu de uma árvore e teve a perna esquerda esmagada pouco abaixo do joelho. Ele teve fratura exposta e perdeu aproximadamente 3cm da tíbia e do perônio. Ele se consultou com vários médicos, entre eles o da Casa Real - visto que era funcionário de um visconde - que recomendaram a amputação. Durante oito anos ele viveu com a ferida, procurando tratamento e recusando-se a cortar a perna. Nessa época, já eram conhecidas na Bélgica as famosas curas de Lourdes, onde Nossa Senhora havia aparecido a Bernadeth em 1858.

Em 1875, Peter van Rudder decidiu ir à cidade de Oostakker, onde havia um pequeno santuário dedicado a Nossa Senhora de Lourdes. Depois de uma penosa viagem, ele dirigiu-se à réplica da gruta de Lourdes que havia na cidade, para implorar por sua cura. Lá chegando, deixou cair as muletas e se ajoelhou diante da imagem da Imaculada. Foi sua mulher, que o acompanhava, quem percebeu que sua perna estava subitamente curada. Sua perna quebrada por oito anos havia perdido 3 cm de osso - tanto na tíbia como no perônio. Estava agora completamente reconstituída.

A cura foi atestada por vários médicos franceses e belgas. O seu caso foi a 24ª cura milagrosa reconhecida oficialmente pela Igreja como sendo obtida graças à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes. Os cidadãos de Jabbecke redigiram, assinaram e lavraram um documento testemunhando que Peter van Rudder havia quebrado a perna, com perda de massa óssea e que após sua ida a Oostakker estava completamente curado.

Esses casos parecem extraordinários demais para serem verdadeiros? Imaginação popular? Há testemunhos da época, arquivos médicos assegurando a existência do mal e depois a sua cura. Aqui a a razão pode ser satisfeita, mas nossa sensibilidade moderna, que só acredita vendo e desconfia de todo testemunho, de toda evidência, precisa ser socorrida pela fé - a mesma fé que restituiu a perna direita ao jovem Miguel e curou a perna esquerda de Peter.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A Igreja Católica é a construtora da civilização



A Igreja Católica é inimiga da ciência, luta contra o progresso, obstrui a medicina, pugnando pelas forças do obscurantismo. A Igreja escondeu livros, proibia as pessoas de lê-los e perseguia quem os escrevia. A Igreja enriqueceu vendendo terrenos no Céu, explorando os pobres, bajulando os poderosos, justificando a escravidão e o domínio dos fortes sobre os fracos. A Igreja reprimia as mulheres e impunha-lhes uma posição subalterna. A Igreja não considerava negros e índios como seres humanos. A Igreja promoveu guerras e queimou vivas milhões de pessoas.

Esse é um brevíssimo resumo daquilo que se costuma ler sobre a Igreja Católica nos livros de História e ouvir nas rodinhas de livre-pensadores (cof cof). Vê-se que, em seus dois mil anos de existência, a Igreja não esteve ocupada com outra coisa que não o fazer o mal - de forma vasta e indistinta.

Como surgiram tais ideias? Não foi hoje. Em menor escala, desde os tempos do renascimento fala-se mal de Igreja. Naquela época, porém, as críticas não eram contra a Igreja em si, mas contra o homem medieval, visto como violento, cruel e ignorante - em oposição, é claro, ao pacífico, amável e inteligente homem renascentista. A hostilidade ampliou-se vastamente durante a Reforma Protestante, quando críticas que poderiam ser justas se feitas da forma correta e com o intuito de aprimorar o comportamento dos homens da Igreja acabaram sendo feitas para dar vazão a rancores e hostilidades arraigadas, a desejos de poder e dinheiro e a arroubos de vaidade. O problema recrudesceu, no entanto, a partir do século XVIII, quando alguns intelectuais, retomando a velha arrogância e autoindulgência dos renascentistas, decidiram que tudo aquilo que existira antes deles era ruim e que não havia nada de melhor em todos os tempos do que eles próprios. Eram os iluministas, entre os quais brilhavam gente como Rousseau, Voltaire e Diderot. Eles prmoveram em seus escritos um anticatolicismo irracional e um anticlericalismo sanguinolento. Mais tarde, seguindo os seus passos, vieram Marx e seu ateísmo de viés econômico, Nietzsche e seu antiteísmo pseudofilosófico (eu chamo de autoajuda para o mal) e Freud e sua ideia de trocar Deus pelas perversões sexuais. Depois deles, tivemos gente ainda mais triste: Sartre e Foucault, por exemplo. Hoje tem-se Richard Dawkins e Daniel Dennet, por exemplo (o que demonstra como esse processo foi de decadência).

Encantados por essa gente, o mundo das artes - que tem a pretensão à intelectualidade - reproduziu acriticamente tudo o que disseram. Por isso é tão comum escutar todas aquelas coisas de Igreja se opondo à ciência e por isso muitas pessoas, inclusive católicos, as aceitam: são repetidas mil vezes e Goebbels já explicava o que acontece com uma mentira mil vezes repetida.

Por isso para muita gente pode ser uma grande surpresa descobrir que a Igreja e os homens da Igreja são responsáveis por muitos progressos da humanidade. Pode ser surpreendendte descobrir que quem inventou as universidades foi a Igreja. Que muitos cientistas eram padres ou monges. Que foi a influência dos ensinamentos da Igreja que levaram as mulheres e as crianças a serem mais valorizadas. Que os principais inimigos dos escravizadores de índios e negros eram homens da Igreja. Que os escritos da Antiguidade - mesmo os pagãos e profanos - que chegaram até nós só chegaram porque foram protegidos pela Igreja. Que se não fosse a ação da Igreja junto aos pobres, muitíssimos mais deles teriam morrido.

Para quem quer iniciar-se nesses assuntos, recomendo o livro "Como a Igreja Católica construiu aCivilização Ocidental", do professor Thomas Woods. É uma excelente obra da editora Quadrante e seu objetivo é derrubar algumas das lendas negras que se formaram a respeito da Igreja Católica, trazendo a verdade a luz.

O mesmo professor iniciou uma série de programas na EWTN TV chamados "A Igreja Católica: Construtora da Civilização". O vídeo acima é a primeira parte do primeiro episódio, com as devidas legendas em português. É uma excelente aula de história da Igreja e da civilização. Uma aula para quebrar preconceitos, para redescobrir nosso passado e para mostrar o verdadeiro valor da Igreja Católica, tão vilipendiada em nossos dias. O trabalho do professor Woods merece muitos elogios, pois aqui ele busca mostrar onde estáa verdadeira luz. Uma excelente forma de combater o verdadeiro obscurantismo.

Neste endereço, você tem o conjunto dos vídeos que já foram disponibilizados com legendas em português.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Cartas entre Amigos

Um dos sentimentos mais inerentes ao ser humano é o medo. Temos medo de errar, de fugir, de perder, de ficar sozinho, de ser abandonado, de morrer, de chorar, de sofrer e até mesmo de sorrir. Quantos medos para atormentar nossa felicidade diariamente.
Não é um livro que deve ser lido rapidamente; é um livro que precisa ser pensado a cada página, possui frases que nos tomam um dia de reflexão e revela que todos possuimos os mesmos problemas.

" Tenho medo de conviver com a miséria e me acostumar com ela; medo de deixar de acreditar na bondade do ser humano. medo de me sentir impotente diante do que me corrompe e dilacera". (p.223). Eu também tenho medo de me tornar indiferente, de olhar o sofrimento alheio sem me importar, de me acostumar com a maldade de alguns e acreditar que esse é o comportamento de todos.
O ressentimento tem a capacidade de nos tomar aquilo que possuimos de mais precioso, nossa crença em Deus e no ser humano. Quando não acreditamos que o outro que errou é capaz de mudar, duvidamos até mesmo da misericórdia de Deus.

"Tenho medo de ser hipócrita. Tenho medo de simular uma coragem que não possuo, uma resposta à qual não acredito. Medo da palavra que finge caridade, que simula acolhimento, quando na verdade o que existe é total e vergonhosa indiferença. Tenho medo de fingir uma fé que não professo. Realizar um rito que não me envolve, que não me devolve, que não me transforma e que por isso não me oferece aos outros". (p.210). Como é difícil tentar agir de forma certa; as situações são tão complexas que muitas vezes duvidamos de nossa fé por não agirmos de acordo com aquilo que deve ser feito. Nossa consciência é ao mesmo tempo juiz, carrasco e defensor.

"São pessoas que querem conciliar o que naturalmente não pode ser conciliado". (p.184). Acreditamos que tudo pode ser conciliado porque em nós existe um sentimento crescente de que não precisamos ser mudados. Para seguir Jesus é preciso deixar para trás tudo aquilo que nos corrompe e felizmente muita coisa precisa ser esquecida.

"A origem de muitos medos está no momento em que não nos reconhecemos menores que nossos sonhos e anseios". (p.181). Temos medo de abrir mão dos nossos sonhos, de nossa felicidade. A idéia de felicidade sempre e a qualquer preço é vendida por todos os lados. Estamos tão acostumados com esse ideal de felicidade que tudo que foge disso e nos exige um pouco mais de compromisso simplesmente não serve.

"Às vezes é melhor não falar e ter a paciência de dar tempo para que o outro conclua as suas imperfeições". (p.174). Somos donos da verdade, estamos sempre certos; nunca erramos e quando erramos é porque fomos conduzidos. Olhamos para o próximo como se ele fosse o único culpado por todos os males da sociedade e esquecemos da nossa parcela de culpa; esquecemos que nós também somos responsáveis pela salvação do próximo e que todos somos livres. Aceitar o outro com suas imperfeições não é desistir, e sim compreender que todos possuimos defeitos e qualidades e que é mais fácil ver no outro aquilo que provavelmente também existe em mim.

"Prometer amor e entregar desprezo não é crime tipificado em códigos".(p.169). O tempo passa, mas os problemas continuam muito parecidos. O amor ainda é o causador de muitos medos.

"É preciso ter medo, amigo, de roubar a inocência do outro, de ferir os sentimentos ou o corpo de quem participa dessa rede humana". (p.167) Nós não temos o direito de causar sofrimento em outra pessoa. Não é porque eu tenho medo que eu tenho o direito de colocar meu semelhante em pânico.

"Fico aqui. Quando posso, vou. Mas quando não vou, dou um jeito de aprender a ficar. Eu me agarro às esperanças. Elas são muitas. Elas são tantas! Estão por todos os lados, mas costumam estar adormecidas. O segredo é gritar por elas. A esperança tem sono leve".(p.132).Esperança, fé e caridade são as melhores saídas para lutar contra nossos medos. Sentir medo é algo normal, mas se permitir ser uma vítima do próprio medo é fraqueza e Deus não quer que sejamos fracos.

O livro é realmente muito bom, linha auto-ajuda talvez, mas muito mais um livro de reflexão. Convido você a ler e refletir sobre medos contemporâneos.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Novo layout

Amigos, estamos modificando o layout do Miles Ecclesiae. A ideia é ter um layout mais limpo e um blog mais leve. Ainda há muitos ajustes a serem feitos. Também edveremos voltar a postar com mais frequência. Pedimos paciência a todos.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

JMJ

Faltam apenas 486 dias para a Jornada Mundial da Juventude.

Nosso coração começa a ficar inquieto e nossas orações passam a ser mais intensas. Mais de um ano é muito tempo, mas para quem espera três significa que já está chegando. Nossos planos ficam mais claros e nosso desejo se torna mais forte. Mas é cedo, ainda dá tempo. Decida-se, o evento é grandioso e você não deve ficar de fora.


Fonte: Site JMJ.

Tradução livre.

O que é a JMJ?

O Dia Mundial da Juventude é um evento eclesial, que se expressa de uma forma extraordinária a fé em Jesus Cristo. É um encontro de férias: onde os jovens com seu dinamismo dão testemunho da Igreja repassando a mensagem cristã de hoje.

É um sinal da comunhão eclesial: os jovens no mundo inteiro, associações, comunidades, grupos e vários movimentos em torno do Papa e os bispos, unidos pelo mesmo amor a Cristo e à Igreja e sua missão no mundo.

No Dia Mundial da Juventude a comunhão eclesial se expressa fortalecida. Sendo evidente, portanto, anúncio, direto e entusiasmado da fé na Igreja de Jesus Cristo.


Objetivos Pastorais da Jornada:

Os objetivos da Jornada Mundial da Juventude são claros:
- Incentivar um encontro pessoal com Cristo, uma mudança de vida;
- A experiência de ser a Igreja Católica como um mistério e comunhão;
- A consciência clara da vocação de todos os batizados, chamados a tornar-se missionários;
- A redescoberta dos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia, que reforçam a vida cristã.

É, portanto, promover a adesão a Jesus Cristo que viveu na Igreja com tal entusiasmo que transborda de fé e zelo missionário.


Preparação Catequética

"Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé". O tema da JMJ 2011 em Madrid destaca a necessidade de que todos os nossos pensamentos, emoções, estratégias, iniciativas e aspirações, nossa vida tem as suas raízes, que dão o alimento e força em Jesus Cristo. Só ele nos faz crescer e amadurecer.

Com a proposta de catequese queremos ajudar os jovens para que cada vez mais se tornem conscientes de Jesus Cristo, Amigo e Senhor, desejando fortemente que ele entre em suas vidas dando uma base sólida sobre a qual construir e trabalhar com sinceridade para isso.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Câmara promove exposição abortista

A Câmara dos Deputados promove, desde a semana passada, uma exposição fotográfica de conotações abortistas. Aparentemente, não há nada de errado com as fotos. São belos retratos em preto e branco de várias mulheres sofridas. Mas nos textos que acompanham a exposição, descobrimos do que se trata. Muitas delas são vítimas de violência doméstica ou de estupros. Mas não é só isso. Algumas são mulheres que abortaram e foram "perseguidas" por isso.

Num dos textos, reproduzido em letras bem grandes e legíveis na parede, lê-se o seguinte:
"Eu achei desnecessária a pena. Porque a pior conseqüência é o estigma que fica. É o que fica na consciência mesmo, de você ter praticado algo errado, criminoso. Eu não me enxergo como uma criminosa. Acho que minha vida hoje estaria muito diferente se eu não tivesse tomado essa decisão. Por isso, digo que não me arrependo da decisão."
Em outro texto, está escrito:
"O pai da criança ficou sabendo, mas não participou em nada. Nós nos separamos imediatamente no dia em que ele soube que eu estava grávida. Num momento como esse, de fragilidade, a gente tem que ter alguém segurando a nossa mão, pelo menos. Mas ele não quis. Fui sozinha, decidi sozinha..."
A exposição está no Espaço Zumbi dos Palmares, no corredor que liga o Anexo 2 ao Plenário da Câmara, e tem o nome de "Mulheres entre luzes e sombras". As imagens são do fotógrafo João Roberto Ripper. Promovida pela Câmara, a mostra tem o apoio de ONGs abortistas como a Cfemea e a Ipas Brasil.
Algumas das fotos podem ser vistas aqui. Outras informações sobre a mostra podem ser obtidas aqui.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O Pai Nosso sob o prisma da CF 2010

Fonte: Texto base CFE 2010.

Pedimos o pão “nosso”, não o “meu pão”. E pedimos o que precisamos para cada dia, não para acumular. Esse pedido nos compromete tanto com a partilha como com um consumo mais simples. Quando todos tiverem o pão de cada dia e respeitarem esse direito, sem fazer exceções, a humanidade será mais feliz. Perdoa-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido Outras versões do Pai-Nosso chamam essas “ofensas” de “dívidas”, usando um termo da economia. Ofendemos a Deus e ficamos em “dívida” com ele quando vivemos de modo a prejudicar o irmão. E Jesus nos diz: perdoa se queres ser perdoado. Em outras palavras: nossos “acertos de conta” com Deus só podem ser feitos através de uma atitude justa, fraterna e solidária com o nosso próximo.

E não nos deixes cair em tentação. As tentações do consumo irresponsável, da acumulação exagerada, da exploração dos mais desamparados nos cercam o tempo todo. Para não cair em tentação precisamos estar atentos às consequências do que fazemos e do que deixamos de fazer. Mas livra-nos do mal O maior mal é afastar-se de Deus e desconsiderar a dignidade do ser humano, perder o rumo é não se importar com o sofrimento das outras pessoas, é se fechar num comportamento egoísta, pouco fraterno e pouco solidário.

Pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém. O Reino, o poder e a glória de Deus são diferentes daquilo que este nosso mundo chama de “sucesso”. Mostraremos ser cidadãos desse Reino, testemunhas do poder e da glória de Deus, vivendo realmente como família solidária, sem nenhum culto a outros “senhores” como o dinheiro, a nossa vaidade, o egoísmo que desvalorizam os outros filhos e filhas de Deus nosso Pai.

ORAÇÃO DA CFE 2010
Ó Deus criador, do qual tudo nos vem, nós te louvamos pela beleza e perfeição de tudo que existe como dádiva gratuita para a vida.
Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica, acolhemos a graça da unidade e da convivência fraterna, aprendendo a ser fiéis ao Evangelho.
Ilumina, ó Deus, nossas mentes para compreender que a boa nova que vem de Ti é amor, compromisso e partilha entre todos nós, teus filhos e filhas. Reconhecemos nossos pecados de omissão diante das injustiças que causam exclusão social e miséria. Pedimos por todas as pessoas que trabalham na promoção do bem comum e na condução de uma economia a serviço da vida. Guiados pelo teu Espírito, queremos viver o serviço e a comunhão, promovendo uma economia
fraterna e solidária, para que a nossa sociedade acolha a vinda do teu Reino. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
REZEMOS ENTÃO PEDINDO:

Senhor, ensinai-nos a viver o amor fraterno.
Senhor, ensinai-nos a praticar a justiça.
Senhor, ensinai-nos a defender os oprimidos.
Senhor, ensinai-nos a perseverar na fé.
Senhor, convertei os nossos corações.
Senhor, ensinai-nos a buscar a reconciliação.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Campanha da Fraternidade


Fonte: texto base CFE2010

CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2010.

Lema: Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro (Mt 6,24)
Tema: Economia e Vida
O CONIC foi fundado em 1982. CONIC significa Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil. Igrejas membros do CONIC: 1) Igreja Católica (IC) 2) Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) 3) Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) 4) Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) 5) Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia (ISOA) .

Esta é a terceira campanha da fraternidade realizada de forma ecumênica, e tem como objetivo geral: colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão”.

Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica, as comunidades cristãs são convocadas a deixar-se interpelas pelas palavras de Jesus: “Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde as traças e os vermes arruínam tudo, onde os ladrões arrombam as paredes para roubar. Mas acumulai para vós tesouros no céu.” (Mt 6,19-20a). “Ninguém pode servir a dois senhores: ou odiará a um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6,24). Toda a vida de Jesus foi um testemunho de simplicidade no uso dos bens materiais, de solidariedade com os pobres, de distribuição gratuita dos dons de Deus.

Quaresma é tempo propício para a conversão, momento favorável, dia da salvação. No entanto, esta conversão não se limita ao tempo da quaresma, mas deve produzir frutos que a testemunhem e que permaneçam para a vida eterna. A CFE contribui para a vivência do espírito quaresmal, promovendo a conversão da pessoa em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e social.

Em continuidade com as Campanhas anteriores Nas Campanhas da Fraternidade Ecumênicas, os temas se voltam para a valorização da pessoa, o cuidado da natureza e os grandes direitos dos seres humanos, compreendidos como filhos preciosos e amados do Criador.

Nesse espírito foram pensados o tema desta nova Campanha, “Economia e vida”, e seu lema: “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6,24). Fraternidade e economia. Economia (do grego oikos + nomos), que significa literalmente “administração da casa”, tem o sentido de providenciar tudo que é necessário à sobrevivência. Uma constante no pensamento social cristão é o caráter humano da economia, como atividade realizada por pessoas, devendo orientar-se ao serviço das pessoas, como o centro, protagonistas e razão de ser da vida econômica e social.

Inclusive, a economia, como ciência, deve ser integralmente orientada para a construção do Bem Comum. Os objetivos desta Campanha da Fraternidade Ecumênica Objetivo geral: “Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem

Este objetivo exige que haja justiça social, consciência ambiental, sustentabilidade, empenho na superação da miséria e da fome e, de um modo geral, que se considere com atenção especial, a dignidade da pessoa e o respeito aos direitos humanos. Objetivos específicos: Sensibilizar a sociedade sobre a importância de valorizar e todas as pessoas que a constituem.

Buscar a superação do consumismo, que faz com que o • “ter” seja mais importante do que as pessoas. Para se atingir os objetivos da CFE 2010, são adotadas as seguintes estratégias: Denunciar • a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com a desigualdade, miséria, fome e morte. Educar • para a prática de uma economia de solidariedade, de cuidado com a criação e valorização da vida como o bem mais precioso. Conclamar • as Igrejas, as religiões e toda a sociedade para ações sociais e políticas que levem à implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça para todas as pessoas.

Esses objetivos e estratégias devem ser trabalhados em quatro níveis: social, eclesial, comunitário, pessoal. Desejamos a preservação da grande casa comum, o planeta Terra, planeta da vida e morada da família humana, em vista da sua sustentabilidade. Buscamos mudanças na economia, na administração dessa casa comum, em fraterna cooperação entre toda a sociedade: cristãos e cristãs, seguidores de diferentes religiões e pessoas de boa vontade.

A VIDA EM PRIMEIRO LUGAR . “Cuidado! Guardai-vos de toda ganância; não é pelo fato de um homem ser rico que ele tem a vida garantida pelos seus bens” (Lc 12,15). Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).

terça-feira, 9 de março de 2010

Profeta Jonas - Parte IV

Nós também fazemos julgamentos, a soberba espiritual é tão assustadora quanto qualquer outro pecado. Os nossos interesses não podem prevalecer sobre os interesses de Deus.
O homem pode até pecar, mas o amor de Deus não diminui com o pecado, o que acontece é um distanciamento. O amor de Deus não tem fronteiras. A vocação da igreja é missionária, a nossa vocação como filhos de Deus é sermos missionários.

Capítulo 4
1. Jonas ficou profundamente indignado com isso e, muito irritado, dirigiu ao Senhor esta prece: Ah, Senhor, era bem isto que eu dizia quando estava ainda na minha terra! É por isso que eu tentei esquivar-me, fugindo para Társis,
2. porque sabia que sois um Deus clemente e misericordioso, de coração grande, de muita benignidade e compaixão pelos nossos males.
3. Agora, Senhor, toma a minha alma, porque me é melhor a morte que a vida.
4. O Senhor respondeu-lhe: (Julgas que) tens razão para te afligires assim?
5. Então saiu Jonas da cidade e fixou-se a oriente da mesma cidade. Fez uma cabana para si e lá permaneceu, à sombra, esperando para ver o que aconteceria à cidade.
6. O Senhor Deus fez crescer um pé de mamona, que se levantou acima de Jonas, para fazer sombra à sua cabeça e curá-lo de seu mau humor. Jonas alegrou-se grandemente com aquela mamoneira.
7. Mas, no dia seguinte, ao romper da manhã, mandou Deus um verme que roeu a raiz da mamona, e esta secou.
8. Quando o sol se levantou, Deus fez soprar um vento ardente do oriente, e o sol dardejou seus raios sobre a cabeça de Jonas, de forma que o profeta, desfalecido, desejou a morte, dizendo: Prefiro a morte à vida.
9. O Senhor disse a Jonas: (Julgas que) fazes bem em te irritares por causa de uma planta? Jonas respondeu: Sim, tenho razão de me irar até a morte.
10. Tiveste compaixão de um arbusto, replicou-lhe o Senhor, pelo qual nada fizeste, que não fizeste crescer, que nasceu numa noite e numa noite morreu.
11. E então, não hei de ter compaixão da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil seres humanos, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e uma inumerável multidão de animais?...


Catecismo da Igreja Católica:

P.83.7 Profetas testemunhas da justiça de Deus
§2543 "Agora, porém, independentemente da Lei, se manifestou a justiça de Deus, testemunhada pela lei e pelos profetas, justiça de Deus que opera pela fé em Jesus Cristo em favor de todos os crêem" (Rm 3,21-22). Por isso os fiéis de Cristo "crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências" (Gl 5,24); eles conduzidos pelo Espírito e seguem os desejos do Espírito.

P.83.8 Profetas testemunhas do amor de Deus para com Israel
§218 DEUS É AMOR
Ao longo de sua história, Israel pôde descobrir que Deus tinha uma única razão para revelar-se a ele e para tê-lo escolhido dentre todos os povos para ser dele: seu amor gratuito. E Israel entendeu, graças a seus profetas, que foi também por amor que Deus não cessou de salvá-1o e de perdoar-lhe sua infidelidade e seus pecados.

Será que nós também podemos ser missionários?

segunda-feira, 8 de março de 2010

São João de Deus, Confessor



O Santo João Cidade Duarte nasceu no dia 08 de março de 1495 em Montemor-o-novo, perto de Évora, Portugal.

Por seis anos Francisco o educou como um filho, ao lado de sua pequenina filha. Dos catorze anos até os vinte e oito João trabalhou e viveu como um pastor. E quando Francisco decidiu casa-lo com sua filha, de novo ele fugiu, começando sua vida errante.

Na cidade de Granada no ano de 1538, depois de ter ouvido um sermão proferido por João d'Ávila, que posteriormente foi canonizado pela Igreja Católica, se sentiu tão tocado, que não conseguiu se conter, saiu da Igreja Gritando: "misericórdia, Senhor, misericórdia".

Tomado de muito amor por Deus: Distribuiu todos os seus bens aos pobres e passou a fazer penitência. Por agir desta forma foi considerado louco, e mandado para um hospital psiquiátrico. Por ter convivido com o tratamento desumano, ao sair do hospital decidiu abrir uma casa-hospitalar, para tratar os loucos. Assim, surgiu a Ordem religiosa dos Irmãos Hospitaleiros.

Seu lema era: "fazei o bem, irmãos, para o bem de vós mesmos". Ele morreu no mesmo dia em que nasceu, aos cinquenta e cinco anos, no dia 8 de março de 1550. Foi canonizado pelo Papa Leão XIII que o proclamou padroeiro dos hospitais, dos doentes e de todos aqueles que trabalham pela cura dos enfermos.

Hoje a Ordem Hospitaleira São João de Deus, é um instituto religioso, internacional, com sede em Roma, composto de homens que por amor a Deus se consagram à hospitalidade misericordiosa para com os doentes e necessitados em quarenta e cinco países dos cinco continentes.
"O que pode temer o filho nos braços do Pai?"

São Pio de Pietrelcina