terça-feira, 21 de abril de 2009

Susan Boyle e o amor de Deus


(Primeiro uma necessária introdução e em seguida um texto bem interessante que achei sobre o evento mais comentado dos últimos dias.)

Assistir ao agora muitíssimo famoso vídeo de Susan Boyle é uma experiência curiosa. Acho que eu senti reações muito parecidas com as que devem ter sentido as pessoas sentadas na platéia do programa britânico. Primeiro: "que mulher desengonçada é essa? O que ela pensa que está fazendo?". Depois "isso, pelo menos, vai ser engraçado". E por fim: "Meu Deus!". Susan Boyle arrebatou o mundo inteiro - parece que seu vídeo já é o mais visto de todos os tempos no Youtube - e continua rendendo notícias.

Fiquei realmente encantado com seu jeito tímido e meio sem noção. Ela parece ser uma pessoa simples e boa. É uma mulher que teve algumas dificuldades na vida - tinha deficiência de aprendizagem, não sei casou. de Jeito nenhum parece ser, aos olhos do mundo, "bem sucedida".

Mas ela é devotada à família, tendo cuidado da mãe doente por muito tempo. Gostei de saber que ela é católica. Parece que ela participa ativamente das atividades de sua paróquia, Nossa Senhora de Lurdes (que sortudos hein? Eles a tiveram só para eles por muitos anos). O padre Basil Clark, que diz tê-la acompanhado inúmeras vezes em peregrinações da Legião de Maria, disse em entrevista que seu talento não era nenhuma surpresa. Ele disse também que ficou impressionado com o assédio que ela vem sofrendo.

Fico preocupado com isso. Ontem vi que algum idiota mal intencionado ofereceu um milhão de dólares para que ela estrele um filme pornô. Ou seja: o fato de ela ter se declarado virgem já começou a alimentar, por um lado, a libido de muita gente doentia e por outro, a mente de pessoas que não podem suportar que tal coisa - castidade - exista no mundo.

Rezo a Deus para que Susan Boyle saiba viver esse momento ao mesmo tempo excitante e perigoso. Que saiba colocar os valores que, parece, sempre cultivou, acima das perversões que agora começam a bater à sua porta. RQue saiba viver o sucesso, sem se afastar de Deus. Rezo para que Ele a continue protegendo.

Agora, o texto de que falei no começo. Seu autor é o jesuíta James Martin. O texto foi publicado no dia 16 pela revista católica America. O original em inglês está aqui. Abaixo, minha tradução (me desculpem possíveis erros):

Susan Boyle e o Amor de Deus

Certamente, haverá alguns leitores que vão achar este um assunto inapropriado para o blog da revista Catholic. E que irão, sem dúvida, revirar os olhos. De jeito nenhum esse é um assunto novo. Mas eu tenho que perguntar: Você viu o vídeo da mulher chamada Susan Boyle cantando no programa do tipo American Idol chamado Britain’s Got Talent?

Pode ser o melhor exemplo de como Deus nos vê – e de como o mundo frequentemente não nos vê.

A senhora Boyle, uma mulher desempregada de 48 anos, gorducha e cafona, que de forma tocante se descreveu diante das câmeras como “nunca casada, nunca beijada”, vive num pequeno vilarejo escocês no apartamento em que foi criada, com seu gato, Peebles. Católica devota, ela passou a maior parte dos últimos anos cuidando de sua mãe adoentada, que faleceu recentemente aos 91 anos. Quando ela apareceu no palco de Britain’s Got Talent, você podia ver as caretas de desprezo na platéia. E quando a mulher grandalhona anunciou, sorrindo, que cantaria a vocalmente desafiadora canção I Dreamed A Dream, do musical Les Miserables, você podia ver os juízes (incluindo o onipresente Simon Cowell) literalmente revirar os olhos em mal disfarçada desaprovação. Por favor.

Quando a senhora Boyle abriu a boca, entretanto, surgiu uma voz que silenciou seus críticos.

Seu vídeo no Youtube, na última contagem tinha recebido, contando todas as suas versões, dezenas de milhões de acessos. Por quê? Há algumas razões, umas óbvias e outras não. Primeiro, há o fator choque: que surpresa essa mulher desconhecida cantar tão bem! Onde ela esteva esse tempo todo? Segundo, o fator empatia: nós sentimos compaixão por uma mulher um tanto modesta que parece ter sido tão sem sorte na vida. Terceiro: o fator aparência física: estrelato ou mesmo sucesso em programas como American Idol são tipicamente territórios dos belos e jovens. Não são para pessoas como Susan Boyle. Quarto, o fator Grande Descoberta: a excitação de talvez ver o nascimento de uma nova carreira, uma pessoa desconhecida empurrada para a fama. Além disso, a inexplicável ressonância das letras da música escolhida, por alguém que parece estar passando por um momento bem difícil na vida: “Eu sonhei um sonho no tempo que passou / Quando a esperança era grande / E a vida merecia ser vivida / Eu sonhei que o amor nunca morreria / Eu sonhei que Deus perdoaria”.

Mas deve haver algo mais para explicar nosso prazer e aqueles milhões de acessos.

O jeito como vemos Susan está muito próximo do jeito como Deus nos vê: importantes, especiais, talentosos, ímpares, belos. O mundo geralmente olha desconfiado para pessoas como Susan Boyle, isso quando as vê. Sem a beleza clássica, sem emprego, sem marido, vivendo numa cidade pequena, pessoas como Susan Boyle podem não parecer particularmente “importantes”. Mas Deus vê a pessoa real, e compreende o valor dos dons de cada indivíduo: rico ou pobre, jovem ou velho, solteiro ou casado, matrona ou estrela de cinema, afortunada ou sem sorte na vida. Deus nos conhece. E nos ama.

“Todo mundo é alguém”, disse o arcebispo Timothy M. Dolan na missa de sua posse em Nova Iorque ontem. É outra razão pela qual os jurados sorriram e a audiência explodiu em aplausos.

Porque eles reconheceram uma verdade básica que Deus colocou bem fundo dentro deles: Susan Boyle é alguém.

Todo mundo é alguém.

3 comentários:

Dani disse...

Que lindo!!! me tocou muito!

Fabiana disse...

Deus coloca essas pessoas para reacender a esperança no coração dos homens. Quando pessoas esperançosas estão se deixando "vencer" chega alguém como Susan e dizem cantando: Os sonhos são possíveis. A fé não é inútil. Deus está conosco.

www.direitopolicial.com.br disse...

O assunto do momento, Susan Boyle.Eu fico pensando na minha ignorância, quando aparece uma pessoa que nem essa Senhora.Quem é Deus?Pq ele faz isso com a gente?!Pq nesse momento da minha vida chega essa noticía maravilhosa e de uma forma tão latente?Deus parece brincar com a gente a cada momento e ao certo nos mostra no momento certo, e nos da também, o nosso sonho terrreno, sempre no momento certo da nossa vida.Isso aconteceu com Susan.Cuidou da mãe, é devota e simples, parece que cantar para ela no Britains Got Talents, era como cantar no chuveiro da sua casa, é como andar, simples como respirar.É isso que eu senti.O talento de Deus, manifestando-se nessa mulher, Susan Boyle, serva do Senhor.É a mensagem que eu vislumbrei.

"O que pode temer o filho nos braços do Pai?"

São Pio de Pietrelcina