segunda-feira, 6 de outubro de 2008

História da Salvação - Rute


A história narrada no Livro de Rute, que foi escrito em Judá em meados do século V antes de Cristo, se passa no tempo dos Juízes, numa época em que uma grande fome assolou o país inteiro. Segundo Flávio Josefo, um historiador judeu do primeiro século da era cristã, a história se passa na época do sacerdote Eli. Entretanto, não há evidências o suficiente para sustentar essa afirmação.

Naquele tempo, um homem chamado Elimelec foi com Noemi, sua esposa, e seus dois filhos morar no país de Moab. Lá os filhos se casaram com moças moabitas, uma das quais chamada Rute. Passados alguns anos, Noemi ficou viúva e, algum tempo depois, seus filhos também morreram. Então, ela e Rute decidem retornar a Israel. Já em casa, começam a passar por necessidades, visto a pobreza em que ficaram. Então, Rute foi trabalhar recolhendo restolhos de trigo das colheitas nas terras de Booz, um parente de Noemi. Devido a um direito previsto nas leis da época, Booz se casou com Rute algum tempo depois. Do casamento, nasceu um menino chamado Obed, que foi o avô de Davi. Assim, Rute se torna antepassada de Jesus, sendo que o Evangelho de Mateus menciona seu nome em sua genealogia.

A história de Rute é marcada pela coragem e pela caridade, pela luta e pela perseverança. Nem Rute e nem Noemi desanimam diante das fatalidades e dificuldades da vida. Ao contrário, lutam pela sobrevivência e pela busca de um futuro melhor, apesar de tudo. É marcante ainda a solidariedade e a caridade com que Booz a acolhe e deixa seu coração encher-se de compaixão por ela. Num ato gratuito de acolhimento, ele põe suas capacidades a serviço da luta pelos mais pobres e necessitados. Outro ponto importante é que Deus sempre age através dos mais humildes e pequeninos, manifestando neles e por eles a sua justiça e a sua misericórdia. Davi, que foi o grande rei de Israel, teve uma origem humilde. E Jesus, o maior de todos os reis, também escolheu nascer de uma família humilde.

Também é interessante observar que o Livro de Rute aborda a Lei na perspectiva do serviço à vida e não se ocupa nem se preocupa com o santuário, com o culto e os sacrifícios. Jerusalém nem sequer entra na história e Belém, “a menor entre as cidades de Judá”, é o lugar central onde se desenvolvem os acontecimentos. Alguns séculos mais tarde, naquela pequena cidade nasceria o Filho de Deus feito homem!

Outra observação diz respeito à atitude de extremo nacionalismo presente nos Livros de Esdras e Neemias, nos quais há a proibição de casamento de judeus com mulheres estrangeiras e inclusive a dispensa das mulheres não israelitas já casadas com judeus. Essa proibição fundamentava-se na necessidade e na busca da preservação da identidade e da fé do povo judeu quando este retornou do exílio na Babilônia. Dentro do contexto histórico da época, é possível compreender esta atitude. O Livro de Rute, entretanto, afirma que esta não é a solução, uma vez que se trata da discriminação contra as mulheres estrangeiras. Então, mostra que a melhor solução é a integração delas ao povo eleito.

Quando o Livro de Rute foi escrito, os israelitas haviam retornado do exílio na Babilônia e passavam por um tempo muito difícil, que exigia sérias reformas e o recomeço de tudo para poderem retomar a sua vida normal. Assim, a história de Rute servia como um ponto de apoio e um exemplo que podiam seguir em suas vidas. Este livro, que tem apenas quatro capítulos, está entre o Livro dos Juízes e o Primeiro Livro de Samuel. Vale a pena ler e meditar esta pequena e tão bela história!

Nilson Antônio da Silva

Um comentário:

David disse...

Caros amigos em Cristo,
Também luto para divulgar a sã doutrina pela internet.

Se quiserem conferir:
http://reinoeucaristico.blogspot.com/

Continuem divulgando o único Evangelho.

"O que pode temer o filho nos braços do Pai?"

São Pio de Pietrelcina