segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Deus nunca nos abandona

A história de José do Egito é aquela que mais me toca em todo o Antigo Testamento. É uma história de sofrimento e de superação, de rancor e de perdão. É uma história repleta de significados. O primeiro deles, claro, é o mais óbvio, explicitado na própria narrativa bíblica. É aquele que pode ser resumido num provérbio bem batido, mas verdadeiríssimo: Deus escreve certo por linhas tortas.

E que linhas tortas! É a tortuosidade da escravidão e da prisão. Odiado pelso irmãos, José torna-se escravo. Odiado pela pretendente frustrada (a esposa de seu sonhor), ele torna-se prisioneiro. José, que amava sua família e seu povo, vê-se, durante longos anos, muito distante de ambos. Seu caminho, visto apenas sob esse prisma, é puro sofrimento. Mas seu sofrimento tem uma razão: José precisa estar no Egito para poder salvar sua família da fome. Não tivesse sido vendido como escravo, não teria oportunidade de mostrar seus talentos. Não tivesse sido atraiçoado por uma mulher desesperada, não teria ido para a prisão, e, conseqüentemente, não teria conhecido o nobre servo do Faraó, que, anos mais tarde, o levaria à presença do rei.

Cada dia de nossa vida, cada respiração nossa pertence a Deus. E nada pode ser maior garantia de liberdade do que isso. Deus nos deixa livres no mundo, mas tem planos para nós. Se aceitarmos cumprir esses planos, poderemos sofrer de início, mas a felicidade nos esperará. José poderia ter tentado fugir do Egito. Não o fez: aceitou seu caminho e o trilhou da melhor forma como podia. Podemos dizer que ele carregou sua cruz, bebeu do cálice até a última gota. E, sim, encontrou felicidade: tornou-se o homem mais poderoso da terra mais poderosa da época, constituiu sua própria família e reencontrou a sua. Às vezes Deus nos prova com duras esperas. A de José durou perto de vinte anos - talvez um pouco mais, mas ele encontrou a felicidade. Dá-se o mesmo conosco: quando cumprimos a vontade de Deus, nos aguarda a felicidade. Por mais escuro que seja o nosso caminho, uma coisa é certa: Deus nunca nos abandona.

Essa bela história nos traz outros ensinamentos. A história de José fala de inveja. Os irmãos se revoltaram porque reconheceram em José virtudes que eles não tinham. E foram essas mesmas virtudes, dons de Deus, que cercaram José de boa vontade o tempo todo. Ora, todos o amaram: Jacó, o pai; o seu senho no Egito, que o tornou seu administrador; o carcereiro, que o tornou seu ajudante; o faraó, que o tornou senhor de seu reino. Os irmãos, no entanto, se deixaram levar pela inveja e quiseram afastá-lo para sempre. Mas, ora, é uma história de perdão: vendo que eles estavam mudados, José soube perdoar os irmãos pelo sofrimento que passara e eles souberam acolher esse perdão, enterrando o passado.

A história também nos fala do zelo da fé. Longe dos seus, José se viu sozinho num país estranho, com costumes, língua e religião bem diferentes dos seus. Mesmo ali, não se deixou subjugar. Não desistiu do Deus de seus pais e manteve-se fiel a Adonai. Passou pela dura provação de ser um escravo, de estar preso, de estar sozinho, de ser tentado na carne. Resistiu a todas as provações, não sem dificuldade, mas sempre com confiança. Sabia que o que é certo, é certo. Que Deus o acompanhava. Não era por estar numa terra diferente, onde outros costumes existiam, que ele devia adaptar sua consciência. José não relativizou suas crenças, e assim, pôde vencer todos os testes.

Sua história também é uma história de humildade. O amor exacerbado do pai e o tratamento diferenciado que sempre recebera o levaram a acreditar-se especial (o que, de fato, ele era; mas se é bom ser especial, nunca é recomendável saber disso). Deus, enfim, o exaltou ao máximo que seria possível na hierarquia humana. Tornou-o o administrador do Egito, diante do qual todos se curvavam excetuando o faraó. Mas Deus não o exaltou sem antes fazê-lo se curvar. José caiu, humilhado e castigado pelos irmãos. Ele, que vivia como um príncipe no seio de sua família, tornou-se um escravo desprezado. Ele que tinha tudo o que queria junto a Jacó, passou todo tipo de privações na prisão. Para chegar à luz, ele atravessou as trevas e aprendeu com isso. Deixou de lado seu orgulho, temperou sua confiança e a transformou em fé. Descobriu o quanto ele próprio era fraco e entendeu que só Deus é infalível. Assim, transformado, pode cumprir o grandioso papel que o Senhor lhe reservou.

Leia também:
História da Salvação: José - 1ª parte
José - 2ª parte

Um comentário:

Simone disse...

Prezados Irmãos,
Paz e Bem!
Sou Franciscana Secular, e não vejo nada disso que vocês em seu desabafo.
O que ocorre é que em vez de lutar contra as pessoas nós devemos amá-las, sermos amigos, nos unir, termos a alegria de mostrar como a vida de uma criança é importante, como o amor e a fidelidade são primordiais e como a Santa Missa e a Leitura e Vivência da Bíblia são importantes. Gostaria do seu e-mail para que pudéssemos nos ajudar e apoiar. Parabéns pelo site, só acho que vocês não precisam se frustar, sempre existirá uma Luz que é Cristo. A União e o Amor fazem a Força!
Que a Alegria do Senhor seja a Vossa Força! Paz e Bem! Simone - Brilho do Orvalho Estrela da Manhã.

"O que pode temer o filho nos braços do Pai?"

São Pio de Pietrelcina