quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Nós, os subversivos

Originalmente publicado no Jornal Partilhando em Novembro/2006 - edição 20

O jovem é um questionador. Ele não aceita fácil o que lhe dizem. Ele quer razões, respostas, justificativas. Quando lhe dizem que "tal coisa tem que ser assim", ele diz: "Ah, é? Por quê?" Por isso, o jovem tende a ser subversivo. Isto é, ele tende a querer mudar as coisas.

Quando ficam mais velhas, as pessoas começam a ficar mais passivas, mas conformadas. Quando se é jovem, é o contrário. Queremos mudar tudo o que achamos errado. Queremos ser diferentes, às vezes só pelo prazer de ser diferente.

Antigamente, ser subversivo significava querer acabar com "injustiças sociais", querer "derrubar os poderosos", querer "acabar com a ordem". O tempo passou e muitas dessas coisas não deram certo. Mas o mundo, nesse tempo mudou. Em muitos casos, para pior. Pois, hoje, subversivos somos nós. Nós, os católicos.

São dois mil anos de história, dois mil anos de caminhada. Mas, para algumas pessoas, já acabou. Saiu de moda. Para alguns, ser católico é coisa de antigamente. Hoje, a onda é outra. Hoje, quem quer estar por cima, quem quer ser "normal", não liga para Deus, para a Igreja, ou para os valores cristãos. Por isso, jovem que reza, hoje, é subversivo.

Querer mudar o mundo hoje, é querer mostrar às pessoas a importância de Deus a vida de cada um. É querer ajudar o próximo sem ter que se envolver em guerras, matanças e revoluções. É querer fazer o bem por amor a Deus. E ser subversivo não é mais andar com uma camisa de Che Guevara (que agora são vendidas nas butiques). Ser subversivo é ler a Bíblia. É rezar. É ir à missa. É amar a Deus.

Como sempre acontece, o subversivo é perseguido, é ridicularizado. Afinal, aqueles que estão no comando temem que as idéias da subversão se espalhem. Por isso aqueles que não crêem em Cristo fazem gozações e criticam a religião. Eles morrem de medo de que mais pessoas resolvam ser cristãs.

Se você, que é católico mesmo, ainda não se convenceu de que é um subversivo, de que está remando contra a corrente, dê uma olhada à sua volta. Quantos programas de TV, quantas músicas, quantos livros e quantas revistas dão valor a Jesus e aos seus ensinamentos? E quantas dessas coisas estão por aí a pregar exatamente o contrário do que Jesus dizia?

A onda hoje é usar drogas, é não se casar na Igreja (porque depois é mais fácil separar), é não ter filhos, é não ir à missa, é abortar quando for conveniente, é trair sem remorso. Você não se droga? Quer ser casto e se casar? Vai à missa, se confessa e comunga? É fiel? Pois bem, seja bem vindo ao clube dos subversivos.

Não dê bola para eles, os conservadores. Aqueles que querem manter o mundo sem justiça e sem moral. Aqueles que querem conservar o que hoje existe de errado. Continue seguindo sua vida ao lado de Jesus. Com o tempo, haverá mais subversivos. E aos poucos, poderemos mudar o mundo de verdade. Sem violência, mas com base apenas no amor de Deus.

Nenhum comentário:

"O que pode temer o filho nos braços do Pai?"

São Pio de Pietrelcina